Ivan Freitas: um colecionador eternamente insatisfeito

Sempre atrás de novas preciosidades para seu tesouro, o paulistano já chegou a pagar mais de 3.000 dólares por uma página de HQ da Mulher Maravilha

Mil artes originais de famosos quadrinistas, 8.000 histórias em quadrinhos, 52 estátuas de super-heróis, incontáveis botons e cartões colecionáveis. Reunindo tudo, hoje a coleção do paulistano Ivan Freitas da Costa, 39 anos, soma cerca de 12.000 itens. “Todos devidamente guardados e catalogados”, orgulha-se o também organizador do Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte, um dos maiores da América Latina.


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A brincadeira começou em 1997, quando o paulistano escreveu para Chris Bachalo. “Era fã desse ilustrador e mandei uma carta dizendo que gostava do trabalho dele”, recorda. Meses depois, Ivan recebeu um envelope com uma mensagem do artista e um sketch autografado da Morte, personagem da série de quadrinhos “Morte: o Alto Custo da Vida”. Costa lembra que, na época, ser fã de quadrinhos não era “cool” como agora. “Hoje existe um certo ‘geek pride’ [orgulho nerd] . Antigamente, quando eu dizia que lia quadrinhos, ou pensavam na Turma da Mônica ou em HQ erótica.”

Costa sempre foi um nerd convicto. Prova disso é o cuidado que tem com a sua preciosa coleção. E vale aqui uma ressalva para quem pensa que colecionar é um simples passatempo. Cuidar do acervo pode ser uma tarefa árdua, ainda que prazerosa. O paulistano reserva cômodos de sua casa para guardar cuidadosamente as preciosidades. Para conservar o papel, ele os separa em sacos plásticos acid free, “para não correr risco de o desenho estragar ao longo dos anos”. Além disso, coloca tudo em uma pasta para proteger da luz e dentro de um lugar da casa com umidade controlada. “Não é fácil conservar papel em países do trópico. Ser um colecionador no Brasil é um desafio.”

Fã de super-heróis, principalmente da DC Comics, Costa já fez algumas extravagâncias, como comprar uma página de Alex Ross do álbum “Mulher Maravilha — O Espírito da Verdade” por mais de 3.000 dólares. “Hoje ela vale cerca de 10.000 dólares.” A última aquisição foi uma pintura do Batman, feita pelo norte-americano Sienkie Wilson Icz. Dessa vez, o artigo saiu mais em conta: 900 dólares.

O colecionador não para. Com o aumento de ofertas do “mercado nerd”, ele se depara com mais e mais tentações. Seu atual objeto de desejo é uma capa da revista “Liga da Justiça — Origens Secretas”, que reúne todos os personagens deste time de super-heróis. “Colecionador é uma desgraça, porque quer tudo e a lista não tem fim”, brinca.

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