ONG ajuda a encontrar pessoas desaparecidas

À frente do Mães da Sé, a fundadora Ivanise Esperidião conseguiu solucionar mais de 4000 casos de desaparecimento

Na noite de 23 de dezembro de 1995, Fabiana Esperidião, de 13 anos, não voltou para casa após teri do visitar uma vizinha, no bairro de Pirituba. A partir daquele momento, a vida de sua mãe, Ivanise, nunca mais foi a mesma. Durante três meses, a mulher percorreu diariamente hospitais, delegacias e as unidades do Instituto Médico Legal atrás de alguma pista sobre a garota. Até hoje não descobriu o que aconteceu com a menina. Nessa busca, acabou conhecendo outras famílias na mesma situação.

 

Em março de 1996, após um encontro organizado por ela em frente à Catedral da Sé, nasceu o Movimento Mães da Sé, entidade que ajuda na divulgação de fotos de pessoas desaparecidas e em sua procura. “Quando vivi minha dor isoladamente, cheguei à beira da loucura e definhei até pesar 36 quilos”, lembra Ivanise. “Sei quanto qualquer tipo de ajuda é preciosa nesse momento.”

Em dezoito anos de atuação, a instituição cadastrou mais de 10 000 casos no país. Desse total, cerca de 4 000 histórias tiveram final feliz. Entre vários episódios marcantes, a ONG recentemente ajudou uma mãe e um filho a se reencontrarem após 29 anos. “Muitas famílias depositam em mim seu último fio de esperança”, diz a fundadora. Mantida à base de doações, a entidade, sediada em um escritório na Rua São Bento, no centro, oferece também atendimento psicológico, psiquiátrico e assessoria jurídica gratuita.

O grande trunfo do trabalho, porém, é o apoio na divulgação das fotos. Nos anos 90, quando o tema veio à tona com a novela Explode Coração, de Glória Perez, muitas empresas imprimiam os retratos nas embalagens de seus produtos. Atualmente a exposição diminuiu, mas o Mães da Sé não desistiu. No embalo da febre do álbum da Copa do Mundo, lançou a campanha “Figurinhas Desaparecidas”, em parceria com a agência de publicidade NewStyle: na segunda (9), foram distribuídos pela Avenida Paulista 2 000 adesivos, com a imagem de pessoas desaparecidas.“Vivemos no luto da incerteza, mas, juntas, pelo menos, nos damos apoio”, diz Ivanise, que ainda tem esperanças de reencontrar a filha.

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