Lucas Jagger assina seu primeiro contrato profissional

Prestes a completar 18 anos, Lucas Jagger sai da sombra dos pais famosos, Mick Jagger e Luciana Gimenez, e começa a trilhar caminho próprio

Poucas pessoas protagonizaram um nascimento cercado de tanto interesse público. A chegada, de fato, continha elementos saborosos para aguçar a curiosidade alheia: tratava-se do fruto de um rápido relacionamento entre uma deslumbrante modelo brasileira e uma das maiores (talvez a maior) lendas do rock, cujas músicas embalaram a vida de milhões de pessoas.

Filho de Luciana Gimenez, hoje apresentadora de TV, e Mick Jagger, líder da banda Rolling Stones, Lucas Maurice Morad Jagger era famoso antes mesmo do parto, realizado em 18 de maio de 1999, em Nova York, nos Estados Unidos. Em seus primeiros dias de vida, revistas e jornais de fofoca dos quatro cantos do planeta ofereciam fortunas por uma imagem exclusiva.

Cada vez que sua mãe punha os pés para fora de casa e o levava para tomar sol, um séquito de paparazzi os perseguia na tentativa de conseguir um registro do bebê. Ao contrário do que seria esperado, após essa breve e involuntária exposição inicial, o garoto atravessou a infância e a adolescência com a privacidade praticamente intacta.

Nada de trabalhos publicitários, entrevistas nem mesmo exibições nas redes sociais. Nos últimos meses, no entanto, sua rotina incluiu novas batidas. Prestes a atingir a maioridade, o rapaz de 1,81 metro passou a dedilhar os primeiros acordes na própria partitura. Tem ido sozinho a shows com amigos, como fez no festival Lollapalooza, em março, no Autódromo de Interlagos.

Também deu as caras no recente baile beneficente da entidade americana amfAR, no Jardim Europa, no último dia 27, quando envergou um figurino black tie. Além disso, foi escalado pela luxuosa grife italiana Dolce & Gabbana para ser um dos rostos de sua campanha global Millennials.

E, finalmente, estreará o primeiro trabalho remunerado de sua vida, no fim deste mês, ao lançar uma coleção de roupas para a marca paulistana Mini Us, do empresário Tico Sahyoun. Ele é o criador das doze peças e vai embolsar 13% do valor de cada unidade comercializada — uma camiseta custará 99 reais. Sua relação com a moda não se resume a essa experiência.

O rapaz, com roupas criadas por ele mesmo: a coleção de doze peças chega às lojas neste mês (Danilo Borges/Veja SP)

Vaidoso, tem a japonesa Bape e as americanas Fear of God e Cotton Citizen como marcas favoritas na hora de se vestir. Nos pés, prefere tênis da Adidas, e já encarou filas gigantescas na loja da Rua Oscar Freire para adquirir um modelo recém-chegado ao Brasil. “Facilita calçar 45, meu número não esgota facilmente”, explica.

A carreira na área, porém, não deve ir muito além disso. “Gosto de moda, mas não quero ser estilista”, afirma. Os movimentos recentes de abertura, associados ao aniversário de 18 anos, a ser celebrado na próxima semana, contrastam com os extremos cuidados que o cercaram até aqui.

Mesmo com uma mãe modelo de sucesso, Lucas nunca fez trabalho publicitário. E não por falta de tentativa do mercado. Certa vez, em 2006, Luciana Gimenez foi escalada por uma montadora alemã para estrelar o lançamento de um carro compacto. A ideia era mostrar uma mulher alta, dona de pernas longas, dirigindo o pequeno automóvel com absoluto conforto. Porém, poucos dias antes do evento e com o contrato já assinado, os publicitários comunicaram- lhe que teria de colocar o filho no banco traseiro do veículo e chegar ao som dos acordes emblemáticos de (I Can’t Get No) Satisfaction, clássico dos Stones.

Micke e Lucas: jogos na Inglaterra são rotina quando o jovem está junto do pai (Jean Catuffe/Getty Images/Veja SP)

Ela rescindiu o contrato. “Ganhar dinheiro é muito bom, mas apenas com o meu trabalho, ele não tem nada a ver com isso”, diz Luciana. Por mais que Lucas tenha levado uma vida reservada de típico adolescente paulistano da classe alta, o fato de ser filho de um dos ícones do século XX teve um óbvio impacto em sua trajetória.

O turbilhão emocional foi sentido pela primeira vez em 2006, quando o garoto tinha apenas 6 anos. Na época, os Rolling Stones vieram ao Brasil para o histórico show na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, diante de 1 milhão de pessoas. O roqueiro aproveitou a passagem com a banda para visitar o colégio do menino em São Paulo. “Houve um alvoroço enorme entre professores e alunos, meu neto ficou assustado, chorou e não quis sair do carro”, lembra a avó materna, a atriz Vera Gimenez. “Não deve ser nada fácil ser filho de Mick Jagger.”

O episódio traumático não o impediu de assistir a dezenas de shows do pai ao longo da vida. Em seu quarto, há um painel com as credenciais dos vários presenciados ao redor do mundo. “O meu favorito foi o de Cuba, no ano passado, pelo peso histórico de cantar na ilha fechada”, diz o rapaz. Em muitos desses concertos, ele tem o privilégio de acompanhar clássicos como Gimme Shelter e Brown Sugar de cima do palco. “Mas às vezes prefiro ver no meio da galera.”

Por circular livremente pelos bastidores desses espetáculos, tornou-se corriqueiro esbarrar em outras estrelas de brilho similar ao de Jagger. “Caí em lágrimas quando fui apresentada ao Paul McCartney, e o Lucas ficou bravo comigo. Ele convive com essas pessoas e acha tudo normal”, diverte-se Vera.

Lucas e seu primeiro contrato: jovem assina contrato e assina 12 peças de roupa da marca Mini Us (Danilo Borges/Veja SP)

Mesmo morando a um oceano de distância, na Inglaterra, e com uma extensa agenda de compromissos com os Stones, Mick Jagger participou da educação do então caçula. O que surpreendeu a própria Luciana Gimenez. “Durante a gravidez, imaginei um futuro como mãe solteira”, relembra a apresentadora. “Estava enganada, o Mick foi sempre muito presente.”

Isso incluiu ler livros e entoar canções de ninar (Angie?), e até acompanhar as tarefas escolares via Skype. Os encontros entre pai e filho ocorrem com mais frequência fora do Brasil. O rapaz costuma ir a Londres a cada quarenta dias. Nessas ocasiões, ele e Mick vão a estádios de futebol, principalmente Stamford Bridge, no centro da capital inglesa. “Torcemos pelo Chelsea”, conta Lucas.

Também acompanham pela televisão algumas partidas de críquete — um esporte popular no Reino Unido. Mas já se encontraram em outros países, como França, Suíça e África do Sul, nesse último durante a Copa do Mundo de 2010. Há três semanas, estavam juntos em Mustique, uma ilha do Caribe.

Mick com o filho Lucas em um parque londrino, em 2000: pai presente (REX/Shutterstock/Veja SP)

O roqueiro também circula por aqui. No ano passado, voltou à escola do filho para cortar a faixa de inauguração do novo prédio de música da instituição. Dessa vez, não teve choro. Como qualquer adolescente, Lucas tem uma rotina recheada de atividades corriqueiras, curriculares ou não.

No colégio, suas disciplinas favoritas são geografia e artes. Por lá também frequenta aulas de guitarra, piano e teatro. No tempo livre, gosta de jogar tênis e fazer pilates. Detesta bebida alcoólica e sente aversão por comidas consideradas “moles”. Seu paladar pende mais para frutos do mar e massas. “De tanto viajar de avião, criou trauma de sopa e geleia”, explica Luciana.

Entre os parentes, é chamado de “Bu” e “The Fair” (O Justo). E tem fama de pão-duro. “Ele pede aos amigos que não o convidem a restaurantes caros”, diverte-se o padrasto, o empresário Marcelo de Carvalho, sócio da RedeTV! e casado com Luciana desde 2006.

Jagger no Morumbi: vindo do cantor causou alvoroço no colégio de Lucas (J.F. Diorio/Estadão Conteúdo/Veja SP)

No colégio onde estuda, um episódio virou lenda. Em uma viagem escolar à Itália, um colega apontou para uma Ferrari na rua e comentou: “Meu pai tem uma igual estacionada na garagem”. Ao que Lucas respondeu: “Então o seu é mais rico que o meu, que anda em um Volvo 1972”.

O jovem mora com Luciana, Marcelo e Lorenzo, de 6 anos, fruto do relacionamento entre a mãe e o padrasto, em um espaçoso apartamento na Zona Sul. Mas sua família inclui outros sete meios-irmãos pelo lado do pai.

(Reprodução/Veja SP)

A turma mantém um grupo de WhatsApp para trocar notícias, mas o brasileiro é mais ligado a Gabriel Luke Jagger, quarto e último filho do casamento entre Mick e Jerry Hall. Trata-se de uma afinidade etária: os dois têm menos de dois anos de diferença.

Lucas terminará o ensino médio na metade do ano que vem e, então, será a hora de escolher uma carreira universitária. Apesar de frequentar aulas particulares de canto por escolha própria, não deve seguir os timbres do pai vocalista. Em 2016, o rapaz passou uma temporada em Nova York para um curso de fotografia e edição na prestigiada Universidade Columbia.

Seu destino provavelmente será mesmo a metrópole americana, uma de suas cidades favoritas. “Mas ainda não decidi qual faculdade vou fazer por lá”, diz.

Por enquanto, o único plano concreto é o da festa de aniversário, na quinta-feira da semana que vem (18). Também nesse caso, o estilo low profile dará o tom. Apenas 53 amigos do colégio serão convidados para um encontro em sua casa.

Luciana e Lucas no baile da amfAR: jovem tem ido a eventos sozinho (Divulgação/Veja SP)


“MEU FILHO NUNCA ESTEVE À VENDA”
Luciana Gimenez fala sobre Lucas, a amizade com Mick Jagger e a família com Marcelo de Carvalho

Como foi ter um filho diante dos olhos do mundo?
Li livros sobre maternidade, pois achava que seria mãe solteira. Na época da gravidez, decidi sair de Londres e ir para Nova York, para deixar a família do Mick mais à vontade. No entanto, ele sempre foi muito presente.

Lucas nasceu famoso, mas teve vida discreta. Por quê?
Meu filho nunca esteve à venda. Certa vez, o jornal News of The World ofereceu 1 milhão de libras para saber detalhes da minha relação com Mick. Agora, com 18 anos, Lucas pode fazer o que quiser, mas saberá que sempre o protegi e preservei.

Mas ele apareceu na capa da revista Hello ainda bebê…
Essa foi uma decisão tomada entre mim e o pai dele, pois existia curiosidade das pessoas. Eu falo com Mick todo dia por Whats App, é meu melhor amigo. E o Marcelo é um exemplo de homem para o Lucas. Tenho orgulho da família que construí.

O Lucas tem fama de ser tímido. É verdade?
Até os 5 anos, meu filho era praticamente mudo. Só apontava as coisas, não falava uma palavra. Quando amadureceu, manteve-se um cara reservado, mas passou a ter posições firmes. E é uma pessoa zero arrogante.

Luciana em Nova York, em 1999, com o filho: encontros constantes (Dennis Stone/REX/Shutterstock/Veja SP)


SETLIST
O estilo e as preferências de Lucas Jagger, de acordo com os clássicos dos Stones

IT’S ONLY ROCK’N’ROLL (BUT I LIKE IT)
“Minhas músicas preferidas dos Stones são Sympathy for the Devil e Beast of Burden. No Brasil, curto Charlie Brown Jr.”

PAINT IT BLACK
“Gosto de roupas escuras, mais largas e de tênis da Adidas.”

JUMPIN’ JACK FLASH
“Faço pilates, pratico tênis e gosto de jogar futebol, na defesa.”

I CAN’T GET NO (SATISFACTION)
“Uso redes sociais, mais o Instagram. Saí do Facebook porque achei aquilo muito chato.”

HIGHWAY CHILD
“Gosto de ir a Londres, mas eu nunca morei lá. Prefiro São Paulo, é a cidade onde vivo.”

HOT STUFF
“Vou a estádios com meu pai na Inglaterra, torcemos pelo Chelsea. No Brasil, sou São Paulo.”

SYMPATHY FOR THE DEVIL
“Meu seriado favorito na televisão é The Neistat Brothers, mas também gostei de Breaking Bad.”

Lucas com a mãe e o padrasto, Marcelo de Carvalho: modelo de homem da casa (Gustavo Scatena/Veja SP)

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