Lojas e restaurantes de SP abusam do inglês em mensagens e anúncios

Não bastasse a mania de encher as vitrines com placas de "off" e "sale", algumas lojas e restaurantes resolveram escrever seus anúncios apenas em inglês

Não bastasse a mania de encher as vitrines com placas de “off” e “sale” em vez de “desconto” e “liquidação” – será que eles vendem mais assim? – , algumas lojas e restaurantes paulistanos resolveram escrever suas mensagens e anúncios exclusivamente em inglês. Em uma, vá lá, homenagem à cantora Madonna, que se apresenta na cidade neste mês, a filial da Daslu no Shopping Cidade Jardim foi decorada com quatro frases ditas pela estrela no original, sem tradução: “If we want something in life, we have to give something. If we want compassion, we have to give compassion. If we want tolerance, we have to give tolerance. If we don’t want to be judged, then we must not judge” (“Se queremos algo na vida, temos de doar algo. Se queremos compaixão, temos de ter compaixão. Se queremos tolerância, temos de ser tolerantes. Se não queremos ser julgados, então não devemos julgar”).

Na semana passada, a rede de restaurantes Ritz proibiu fumar em suas dependências. A nova regra foi comunicada aos clientes com a expressão “no smoking” escrita em pequenos quadros. “Nossos clientes estão acostumados a viajar pelo mundo e não têm problema com o inglês”, diz o sócio Carlinhos Calil. Aberta há dois meses na Rua Oscar Freire, a loja de roupas American Apparel usa um adesivo gigante para descrever a origem de seus produtos: “Crafted with pride in Los Angeles, California” (“Feitos com orgulho em Los Angeles, Califórnia”). Segundo a coordenadora de varejo Thaís Lima, “não deu tempo de traduzir o material de divulgação”.

Na opinião do professor de língua portuguesa Pasquale Cipro Neto, tal estratégia de marketing é pedante. “Isso me lembra o famoso complexo de vira-latas de que falava Nelson Rodrigues”, afirma. Existe ainda uma questão jurídica. O artigo 31 do Código de Defesa do Consumidor recomenda o uso da língua portuguesa na oferta e apresentação de produtos e serviços em vitrines, prateleiras, balcões e campanhas publicitárias. Há dois anos, o procurador da República Matheus Baraldi Magnani propôs uma ação civil pública proibindo o uso de termos estrangeiros pelo comércio. “Normas do estabelecimento e informações sobre a origem de mercadorias têm necessariamente de estar escritas na língua nativa”, explica Magnani. “Imagine uma pessoa entrar no banheiro errado por não ter entendido o que diz a placa?” O procurador explica que, no caso da Daslu, como não está sendo oferecido nenhum serviço, não ocorre violação do Código de Defesa do Consumidor. É só cafonice mesmo.

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