Secretário diz que “educar” não é só função do estado

José Roberto Nalini polemizou com artigo em que pregou "desenvolvimento pleno da iniciativa privada"

O secretário estadual da Educação, José Renato Nalini, publicou artigo no portal institucional da pasta, em que defende que o estado deve permitir o “desenvolvimento pleno da iniciativa privada” e só responder por “missões elementares e básicas”, como Segurança e Justiça.

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O artigo, intitulado A sociedade órfã, causou polêmica nas redes sociais. “Muito ajuda o Estado que não atrapalha. Que permite o desenvolvimento pleno da iniciativa privada. Apenas controlando excessos, garantindo igualdade de oportunidades e só respondendo por missões elementares e básicas. Segurança e Justiça, como emblemáticas. Tudo o mais deveria ser providenciado pelos particulares”, diz Nalini no artigo.

Em entrevista, o secretário disse não entender a polêmica em torno do artigo. “Li e reli e não acho que tenha nada a se estranhar. Só pode ser má-fé ou ignorância, não há como fugir desse dilema”, disse.

Nalini afirmou ter mencionado apenas Segurança e Justiça por entender que sua promoção deve ser exclusivamente uma atribuição do estado. “Citei as duas como emblemáticas porque são as duas nas quais o estado não pode se ausentar. Porque nelas a família não pode ajudar, não pode fazer justiça com as mãos. Já educação é obrigação de todos.”

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O secretário disse que, com o artigo, queria chamar a atenção para as responsabilidades da família. “A maioria do processo de educação fica a cargo do estado. A família negligenciou o currículo culto, aquilo que as mães deveriam ensinar para as crianças.” 

Para especialistas em ensino, o texto preocupa. “O estado brasileiro tem a função de universalizar os direitos”, disse Daniel Cara, coordenador da campanha nacional pelo direito à educação.

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