Circuito alternativo da arte em São Paulo

Microexibições são boa alternativa para quem já viu todas as mostras dos museus da cidade

Mais do que comercializadoras de arte, galerias em São Paulo também são palco de pequenas exibições e criam um circuito alternativo na cidade, à margem dos grandes museus: uma ótima opção de passeio para comemorar o Dia Nacional das Artes, celebrado nesta sexta (12).

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Com espaço para linguagens estranhas ao grande público, como o livro de artista, essas casas têm como um diferencial a divulgação e venda de obras de nomes de uma nova e muitas vezes desconhecida geração. Colecionadores e acadêmicos formam boa parte do público frequentador.

Cada galeria mantém uma linha específica de curadoria. Na Logo, por exemplo, aberta no último dia 30, o destaque fica para a arte urbana. Lucas Ribeiro, um dos fundadores, diz que a proposta é colocar o apelo visual na frente de tudo. “A intenção é mostrar peças que não precisam de mediação ou, em outras palavras, de uma plaquinha ao lado para guiar a observação do visitante.”

A casa, como a maioria desses espaços, está nos Jardins. Em clima moderno, instalações, vídeos e fotografias dividem o espaço com ilustrações e pedaços de skates pendurados na parede.

Na Graphias, por influência da sócia e artista plástica Salete Mulin, o forte são as gravuras. Na porta da galeria, uma casa de fachada branca e aparência antiga na Vila Mariana, um ateliê com duas grandes prensas dá a dica do que local apresenta: 1.600 originais em gravuras, desenhos e monotipias de 120 brasileiros, de várias gerações, além de livros de artistas, que devem ser manipulados com luvas.

“São trabalhos formados por uma rede de gravadores de São Paulo, sobretudo, professores”, explica Mauro Vaz, também sócio da Graphias, ao lembrar do caráter informal da galeria, em oposição ao ambiente mais austero dos museus. O espaço ainda oferece cursos.

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Com cerca de 2.000 visitantes a cada mês, a Choque Cultural é voltada ao grafite. Atualmente, a galeria de Pinheiros exibe o trabalho de Daniel Melim, que já expôs no Masp ao lado do inglês Banksy e inaugurou recentemente um painel gigante na avenida Prestes Maia, 931, com mais de 30 metros de altura. A mostra vai até 26 de agosto.

Baixo Ribeiro, idealizador da Choque, afirma que hoje as galerias mudaram, estão mais abertas aos jovens, além de mais ativas e atuantes. Para ele, é função do galerista formar novos colecionadores, incentivando o crescimento da arte no país.

A Casa Contemporânea cumpre esse papel de educadora ao realizar encontros e debates sobre arquitetura, urbanismo, moda e teatro. O estabelecimento ainda se gaba de acolher jovens artistas. Atualmente mantém em cartaz a exposição “Jeans: Tecendo Comentários entre Arte e Moda”, por meio da qual propõe, até o fim de agosto, investigar os meandros que separam os dois temas.

Para Helena Freddi, professora de artes da pós-graduação do Centro Universitário Belas Artes, essas exposições formam uma grande oportunidade para o artista. “A galeria é um espaço que ele encontra para poder exercitar a sua profissão.”

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