Galeria Choque Cultural, em Pinheiros, é depredada por ex-estudante de artes visuais

Ex-aluno já tinha pichado Centro Universitário Belas Artes

Três meses depois de liderar quarenta vândalos durante uma pichação no Centro Universitário Belas Artes, na Vila Mariana, alegando ser aquele o seu trabalho de conclusão de curso, o ex-estudante de artes visuais Raphael Guedes Augustaitiz, o Rafael Pixobomb, atacou outra vez. Na tarde do sábado (6), ele comandou trinta arruaceiros que sucatearam obras e paredes da galeria Choque Cultural, em Pinheiros, voltada à chamada arte de rua. Entre os vinte pôsteres e gravuras danificados estavam dez quadros de pop art do britânico Gerald Laing. Pixobomb não dá entrevistas. Picha desde os 12 anos e hoje, aos 24, leva fotógrafo e cinegrafista para difundir suas delinqüências pela internet. Na rede, alega que seu gesto é um protesto “contra a comercialização, institucionalização e domesticação da cultura de rua por parte dos galeristas e do poder público”.

A idiotice desse blablablá não justifica os crimes. Na invasão da Belas Artes, no dia 11 de junho, alguns funcionários foram agredidos. “O ato de vandalismo extrapolou os limites da ação civilizada”, disse, à época, a artista plástica Helena Freddi, coordenadora do curso que Augustaitiz freqüentou como bolsista integral – sem pagar um tostão dos 900 reais mensais – por quatro anos. Seu ato no último dia de aula foi rechaçado pelos alunos. Ele acabou reprovado pela “apresentação” inválida e sua expulsão foi determinada por um comitê disciplinar.

Embora tenha sido levado à delegacia depois da baderna na faculdade, Pixobomb foi liberado. Crimes contra o patrimônio são considerados leves, com pena de até um ano, mas não prevêem prisão em flagrante. Livre, deu para destruir galerias. “Não entendemos a razão de uma ação tão brutal”, afirma o arquiteto Baixo Ribeiro, um dos proprietários da Choque Cultural, junto com sua mulher, a também arquiteta Mariana Martins, filha do pintor Aldemir Martins (1922-2006). Admirador da tal “arte de rua”, Baixo ficou tão abalado com a afronta que tem evitado falar sobre o assunto. “Estamos mantendo a discrição porque não queremos amplificar a ignorância da qual fomos vítimas.”

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