Fashion Weekend Plus Size: desfile com modelos GG

Lojas especializadas promovem desfiles para quem veste manequim acima de 44

Desfiles de moda em que estrelas das passarelas como Gisele Bündchen, Carol Trentini e Alessandra Ambrósio não são bem-vindas. Parece mentira, mas não só isso existe como vai rolar em São Paulo, no próximo dia 24, na Casa das Caldeiras. Trata-se da Fashion Weekend Plus Size, evento promovido por lojas especializadas no público GG. Apenas moças com manequim entre 44 e 50 poderão brilhar exibindo os looks das dez marcas participantes — o peso é de, em média, 100 quilos. Cada empresa desembolsou 5 000 reais para exibir suas peças. “Fofinha também pode ser estilosa”, diz a exuberante modelo Andrea Boschim, 98 quilos, manequim 48. Ela criou o evento com a amiga Renata Poskus, consultora de marketing (80 quilos, manequim 44). Os desfiles foram estrategicamente marcados para a época da São Paulo Fashion Week, que começa neste domingo (17). “Nossa ideia é atrair a imprensa especializada”, assume Andrea.

Avessas a roupas escuras e modelagens que escondem curvas, as duas contam ter dificuldade para comprar peças sensuais e de cortes modernos — o que também serviu de motivação para tirar do papel sua semana de moda. “Quem tem autoestima não precisa desse negócio de esconder o corpo”, decreta Andrea, que usa e abusa de termos para os quais algumas pessoas torcem o nariz, como “fofa” ou “cheinha”. Eleita a gordinha mais sexy do Brasil em um concurso da Rede Record, ela recebe até 250 reais por desfile. “Agora, quero virar o Paulo Borges GG”, afirma, referindo-se ao diretor da São Paulo Fashion Week. Para que seus planos deem certo, é preciso que ocorra uma profissionalização do setor: há poucas lojas e agências de modelos plus size. “Esse segmento tem potencial para crescer bastante”, avalia Silvio Napoli, gerente de infraestrutura e capacitação tecnológica da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). A julgar por uma pesquisa divulgada no ano passado pelo Ministério da Saúde, ele tem razão: o estudo revela que 43,3% dos moradores das capitais têm excesso de peso. Destes, 13% são obesos. “Com mais opções de roupa em números grandes, a relevância desse grupo tende a crescer”, diz o especialista.

 

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