Documentário relembra a polêmica carreira de Zé Celso

Livro e solto, roteiro de "Evoé - Retrato de um Antropófago" segue a linha de pensamento do biografado

Assim como a figura singular de José Celso Martinez Corrêa, de 74 anos, um documentário sobre esse polêmico e excêntrico diretor de teatro não poderia ser didático. Muito menos linear. Para se ter uma ideia, “Evoé — Retrato de um Antropófago” começa nas ruínas da Grécia. Lá, Zé Celso faz uma apresentação ao ar livre, mascarado e sem roupa, como se fizesse uma saudação a Dionísio, o deus do teatro. Livre e solto, o roteiro segue a linha de pensamento do biografado. Há trechos de suas escandalosas peças e entrevistas novas e antigas, muitas delas inflamadas, para o “Programa do Jô” e o “Roda Viva”. A dupla de diretores evitou colher depoimentos de outros. Mas recuperou cenas emblemáticas, como o discurso dele recusando um prêmio no Festival de Gramado de 1983, e colérico diante das câmeras de TV após o assassinato de seu irmão, Luís Antônio, em 1987. Até Silvio Santos dá o ar da graça numa visita ao Oficina, palco e paixão de Zé Celso em sua luta de resistência pelo seu mítico teatro da Bela Vista. O filme é o quarto título da série “Iconoclássicos”, do Itaú Cultural, e tem entrada grátis.

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