Dezoito agentes vão procurar irregularidades no centro

A partir de quinta (20), eles circularão pelas ruas de olho em lixo em local proibido, calçadas esburacadas e postes sem luz

Na última terça, por volta das 17 horas, a esquina das ruas Líbero Badaró e Doutor Miguel Couto, no centro, estava tomada por sacos de lixo pretos. Poucos metros adiante, o piso de mosaico português do calçadão encontrava-se quebrado, o que o transformava numa armadilha e tanto para pedestres mais distraídos. Esses e outros problemas facilmente notados por quem frequenta a região terão, a partir de quinta (20), a fiscalização de dezoito zeladores ou, como são chamados oficialmente, agentes de apoio à comunidade. Trata-se de uma iniciativa da Aliança pelo Centro Histórico de São Paulo, união entre a Associação Viva o Centro, a prefeitura e o governo estadual. “Estamos trabalhando nessa ideia há um ano e meio”, afirma Marco Antonio Ramos de Almeida, superintendente da Viva o Centro. Com o patrocínio de empresas privadas, a primeira ação efetiva da parceria envolveu a contratação dos inspetores e a criação da sede da Aliança, em um imóvel de 100 metros quadrados localizado na Rua da Quitanda. Lá, além da base de apoio aos agentes, funcionará uma central de atendimento ao turista.

Vestidos de uniforme azul-marinho e quepe branco, os fiscais – que lembram porteiros de hotel – vão atuar no chamado Triângulo Histórico, uma área de 528 000 metros quadrados compreendida entre a Praça da Sé e os largos São Francisco e São Bento. A região da Cracolândia, que recentemente foi alvo de uma operação envolvendo a PM e a prefeitura, está fora do perímetro. Em turnos, eles circularão das 6 horas à meia-noite, registrando com máquinas fotográficas irregularidades de todo tipo – buracos nas calçadas, lâmpadas queimadas, sujeira nas ruas, bueiros entupidos e poluição visual, entre outras. As informações serão transmitidas via rádio à base, onde um funcionário cadastrará as ocorrências em um software batizado de Sistema de Acompanhamento e Controle de Inconformidades (Saci), interligado às redes da Polícia Militar e da prefeitura. Durante o expediente, cada um circulará por quatro tipos de trajeto, nos quais foram espalhados cinquenta códigos de barra. Ao passar por eles, o agente deve bater ponto. “Dessa forma, conseguimos saber se houve algum desvio no percurso”, explica o supervisor Orlando dos Santos Junior. Os zeladores ainda poderão prestar informações aos cidadãos. Foi a possibilidade de lidar com o público, aliás, que motivou Paulo Augusto da Silva, pernambucano radicado em São Paulo há 23 anos, a deixar o emprego de auxiliar em uma escola de informática para aceitar o novo desafio. “Tenho facilidade de comunicação”, diz. “E adoro o centro.”

Para passarem pelo crivo da empresa terceirizada que os contratou, os candidatos precisavam ter no currículo segundo grau completo, curso de primeiros socorros e domínio do código Q – aquelas siglas usadas para a comunicação por rádio. Foram selecionados treze homens e cinco mulheres, que ganharão 750 reais mensais mais benefícios. Todos passaram por trinta dias de treinamento. “Era importante conhecer a fundo a vizinhança”, afirma Wagner da Silva, que mora em São Miguel Paulista, na Zona Leste, e antes trabalhava em uma confecção no Bom Retiro. Ex-copeira, a paulistana Gisele da Silva mostra-se curiosa com a experiência. “Eu não costumava ir muito ao centro”, conta ela, que vive no Jardim Vista Alegre, na Zona Norte. “Fiquei impressionada com a quantidade de moradores de rua e com a sujeira.” Se depender da disposição de Gisele e de seus colegas, a situação pode começar a mudar. “Mas a participação da sociedade civil é essencial”, acredita Andrea Matarazzo, secretário das Subpre-feituras. “Os zeladores urbanos são apenas interlocutores.”

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