Mostra compara a influência do construtivismo no Brasil e Inglaterra

"Concrete Parallels/Concretos Paralelos" entra em cartaz no Centro Brasileiro Britânico e na Dan Galeria

De todas as vertentes de abstração desenvolvidas ao longo do século XX, desde a propagação do modernismo, nenhuma viu sua influência se estender durante tanto tempo e com tanta variedade quanto o construtivismo. Desenvolvido a princípio no período de eclosão da Revolução Russa e, pouco depois, disseminado pela escola alemã Bauhaus, o gênero pregava uma abordagem meramente formal da arte, sobretudo através de aspectos geométricos e matemáticos — deixava de lado, assim, a figuração.

Um bom panorama do legado construtivista pode ser apreciado em Concrete Parallels/Concretos Paralelos, em cartaz a partir desta semana em dois espaços da cidade, o Centro Brasileiro Britânico e a Dan Galeria. A intenção da mostra é aproximar as produções da Inglaterra e do Brasil. Para tanto, foram reunidos catorze artistas do primeiro país e dezenove do segundo. Em ambos os lugares a gênese do movimento se deu na virada da década de 40 para a de 50, logo após a II Guerra Mundial.

Herdeiros diretos de correntes de vanguarda europeias anteriores, a exemplo do futurismo e do cubismo, os ingleses anteciparam nossos neoconcretistas ao pensarem em um modo de começar a tridimensionalizar os trabalhos, algo perceptível nos relevos de Anthony Hill e do casal Kenneth e Mary Martin. Jeffrey Steele, por sua vez, flertava com os artifícios ilusórios da op art.

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Por aqui, a onda teve início na primeira Bienal, em 1951, quando foi premiada a escultura “Unidade Tripartida”, do suíço Max Bill, hoje pertencente ao acervo do Museu de Arte Contemporânea da USP. A exposição exibe obras de muitos talentos, Franz Weissmann, Sergio Camargo, Judith Lauand, Ivan Serpa e Willys de Castro, entre outros. Vale observar as inteligentes colagens do também poeta Ferreira Gullar e os experimentos cromáticos de Hermelindo Fiaminghi.

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