Dar carona pode aliviar o congestionamento de São Paulo

Incentivar a prática é uma maneira de murchar a bolha urbana de automóveis

Dar carona pode ser muito chato: é preciso sair da rota e prolongar a viagem por cinco minutos para buscar alguém ou conviver com a música ou a conversa menos agradável de um motorista pouco íntimo. De acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), 64% dos automóveis particulares da cidade andam com uma pessoa só. Se metade desses motoristas topasse pegar uma carona, um terço da frota sairia das ruas. Isto é, teríamos 2,3 milhões de veículos a menos.

Na tarde do último dia 25, a reportagem passou uma hora na calçada ao lado da lombada eletrônica localizada na Rua Rui Barbosa, na Bela Vista. Dos 512 veículos contados, 344 estavam ocupados somente pelo motorista, uma média de 67%, praticamente idêntica à da CET. “Fica claro que o excesso de veículos é um dos grandes causadores do problema do congestionamento”, afirma Paulo Resende, coordenador do núcleo de infraestrutura da Fundação Dom Cabral.

Dados da Associação Internacional de Transporte Público (UITP) indicam que o veículo de uma pessoa só não é um fenômeno exclusivo de São Paulo. Nas principais metrópoles do mundo, a média é de apenas 1,2 pessoa por veículo. “O sistema de carona promove um uso mais eficiente do espaço público”, diz Laurent Dauby, diretor de pesquisa da UITP.

Outro ingrediente que precisa ser levado em consideração é a questão cultural. “Os brasileiros tendem a ser mais individualistas no trânsito”, afirma o especialista em transporte Jaime Waisman. Ele diz que nos Estados Unidos a carona é mais frequente. O motivo é que muitos americanos moram em subúrbios e, para chegar ao centro, precisam atravessar estradas e pagar pedágios. Nesse caso, a carona também se torna uma forma de economizar. “Os motoristas precisam se conscientizar do custo envolvido em seus deslocamentos”, diz o engenheiro brasileiro Paulo Custódio, professor da Universidade de Shandong, na China. Em São Paulo, observa-se que a prática ocorre com naturalidade entre jovens que cursam a mesma universidade e pais vizinhos cujos filhos estudam na mesma escola.  

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