Atriz: Cacilda Becker se tornou um mito

Tipo físico foi o maior aliado para torná-la atriz de qualquer papel

Cacilda Becker (1921-1969) não era bonita. Tinha um nariz grande, traços marcados e um sotaque esquisito que misturava o dos antepassados alemães e italianos com o do interior paulista de sua cidade natal, Pirassununga. Se o tipo físico não contribuiu para eternizar sua imagem — participou só de dois filmes e não teve tempo de ser tentada pelas novelas da TV —, foi o maior aliado para torná-la atriz de qualquer papel. Ela interpretou um menino em Pega Fogo (1950), cinco anos depois a rainha de “Maria Stuart” e, aos 37, incorporou uma velha com o dobro de sua idade em “Jornada de um Longo Dia para Dentro da Noite” (1958).

“Era uma tempestade em cena, uma mulher absolutamente estranha que assustava o público, mas dez minutos depois o fazia embarcar em qualquer viagem”, diz o ator Sergio Britto, colega dos tempos do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC). Da companhia fundada em 1948 em um casarão da Rua Major Diogo, na Bela Vista, Cacilda foi a primeira contratada e protagonizou 22 montagens até 1955. Saiu de lá para criar o próprio grupo, ao lado do marido, o ator Walmor Chagas, e da irmã, a também atriz Cleyde Yáconis, entre outros, participando de mais 26 espetáculos até 1969.

“Cacilda exerceu uma militância corajosa, lutou contra a censura e protegeu muitos colegas perseguidos em seu apartamento da Avenida Paulista após o golpe militar”, afirma o ator e dramaturgo Juca de Oliveira. Como define o diretor Antunes Filho, a múltipla atriz simbolizou com “afinco e tenacidade” um jeito bem paulistano de trabalhar e só saiu do palco, durante uma sessão de “Esperando Godot”, para deixar a cena de vez. Cacilda sofreu um derrame em 1969 e, depois de 38 dias, morreu para eternizar, aos 48 anos, o mito que já era.

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VOTARAM

Antunes Filho, diretor

Beth Goulart, atriz

Eduardo Tolentino de Araújo, diretor

Juca de Oliveira, ator e dramaturgo

Sergio Britto, ator

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