Bombeiros seguem busca por vigia em desabamento de Guarulhos

Edenilson Jesus Santos estaria no segundo subsolo, local de acesso mais complicado

Quase 40 horas depois que um prédio em construção desabou em Guarulhos, na Grande São Paulo, o Corpo de Bombeiros segue a busca pelo vigia Edenilson Jesus Santos, único trabalhador desaparecido no acidente. O desabamento aconteceu por volta das 19h20 de segunda-feira (2) e a carteira e o celular de Santos foram encontrados nos escombros.

Na manhã desta quarta-feira (4), 45 homens, 15 viaturas e dois cães trabalham nas buscas. O Corpo de Bombeiros acredita que a vítima possa estar no segundo subsolo, local de mais difícil acesso, mas ainda intacto. Apesar disso, o vigia não respondeu a nenhum chamado feito pelos oficiais. 

 

Na tarde de terça-feira (3), o irmão do vigia desaparecido, Edvaldo Jesus dos Santos, de 36 anos, acompanhava as buscas. Ele também trabalhava na obra como pedreiro. “As condições eram terríveis. As paredes eram rachadas e todos os dias apareciam problemas diferentes.”

Segundo Edvaldo, os pilares estavam deformados. “Nós sempre tínhamos que reformar.” Ele conta ainda que o mestre de obras sabia dos problemas, mas achava que não era nada grave. Além disso, afirma que nenhum trabalhador utilizava equipamentos de segurança.

O advogado da Salema, Maurício Monteagudo, classificou o acidente como uma catástrofe e negou a informação dos funcionários de que a construção era insegura. “Em uma obra grande como essa é impossível (a falta de equipamentos de segurança.” A empresa classificou ainda como improvável a denúncia de rachaduras em pilares e paredes.

Edenilson nasceu em Porto Seguro, na Bahia, e mora em São Paulo há três anos. “Ele dormia na obra e nos finais de semana ficava na casa de uma tia, em São Rafael, na Zona Leste.” Tio do desaparecido, Gildasio Paulo Jesus dos Santos, de 49 anos, também acompanha o trabalho dos bombeiros. “Nossa esperança é encontrar ele com vida.”

Desabamento Guarulhos

Desabamento Guarulhos

Desabamento

De acordo com o Corpo de Bombeiros, treze funcionários da obra não estavam mais no local no momento do desabamento. Santos é o único desaparecido.

Segundo a prefeitura de Guarulhos, no endereço estava sendo erguido um edifício residencial de trinta apartamentos e dois salões comerciais, totalizando 3 706 metros quadrados. Nove pavimentos já estavam construídos, sendo cinco andares, dois subsolos e um mezanino. O edifício ainda contaria com mais um andar.

Em maio deste ano, a construtora Salema entrou com pedido para acrescentar um mezanino em um dos salões, o que foi aceito. O novo alvará havia sido expedido no dia 6 de novembro.

Outros casos

Na semana passada, um guindaste caiu sobre a cobertura da Arena Corinthians, conhecida como Itaquerão (Zona Leste), destruindo parte da arquibancada e deixando dois mortos: o operador de guindaste Fábio Luiz Pereira, de 42 anos, e o montador Ronaldo Oliveira dos Santos, de 44 anos. Cerca de 1 700 pessoas trabalhavam na obra, trinta delas na operação da máquina.

Em agosto, um prédio em reforma na Avenida Mateo Bei,em São Mateus, na Zona Leste, desabou deixando nove mortos e vários feridos. A obra era irregular e havia sido embargada pela prefeitura.

 

 

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