Angelo Brandini estreia nova adaptação de Shakespeare para crianças

Premiado encenador investe agora em "Hamlet". Anteriomente, já havia montado versões de "Otelo" e "Rei Lear"

Parecia uma façanha quando, em 2007, o ator, palhaço e diretor Angelo Brandini, de 52 anos, adaptou seu primeiro clássico do dramaturgo William Shakespeare para o teatro infantil. Levada ao palco por sua companhia, a Vagalum Tum Tum, a divertida “Othelito”, inspirada em “Otelo”, cativou a plateia com música ao vivo e técnicas de clown. Resultado: conquistou prêmios como o da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) de melhor texto adaptado para crianças. Agora, o encenador investe em uma versão para “Hamlet”, que ganhou o título O Príncipe da Dinamarca. Com estreia programada para este sábado (1º) no Teatro Alfa, a montagem promete ficar bem longe da tragédia e fazer muita graça, com direito a uma banda de caveirinhas, para representar a trajetória do jovem empenhado em vingar a morte do pai. Do bardo inglês, ele também assinou a hilariante “O Bobo do Rei” (2010), baseada em “Rei Lear”.

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Integrante dos Doutores da Alegria desde 1994, Brandini atuou em hospitais durante sete anos e atualmente ocupa a função de coordenador artístico do grupo. Para a trupe, converteu a comédia “O Doente Imaginário”, de Molière, na simpática opereta “Senhor Dodói”, de 2008. Tudo começou com o filho mais velho de Brandini, Vitor Osório, hoje com 27 anos — ele ainda é pai de Sofia e Violeta. No momento em que se viu com o repertório de contos infantis esgotado, passou a narrar ao garoto obras consagradas para adultos. “Ia puxando as histórias da memória e, nas partes pesadas, aliviava para não chocá-lo”, lembra. O passo seguinte consistiu em levar aos palcos esses textos. “Procuro manter a essência do original, com o desafio de segurar o interesse das crianças”, diz.

Nascido na cidade de Paracatu, em Minas Gerais, o artista veio sozinho para São Paulo aos 13 anos por não suportar o tédio do interior. Trabalhou como engraxate e office-boy até ingressar em pequenas companhias de teatro. Ele e a mulher, a atriz Christiane Galvan, moram em uma casa na Lapa. Ali fica a sede improvisada da Vagalum Tum Tum e foi o local onde ele se dedicou por um ano ao novo espetáculo. Planos não param de pipocar na cabeça do hiperativo criador. “Toda vez que acabo um texto, já estou pensando no próximo”, conta. “Quero fazer no futuro ‘Henrique V’, mais um Shakespeare.”

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