Profissão: ajudante do bom velhinho

As dores e delícias das moças que, nesta época do ano, dedicam-se à profissão de "noelete"

Cerca de 12500 quilômetros separam São Paulo do Polo Norte, lar oficial do Papai Noel. Imagine-se, daí, o quanto custaria importar uma das ajudantes dele! Assim, os shoppings paulistanos recrutam suas “noeletes” por aqui mesmo. Brincadeiras à parte, VEJA SÃO PAULO foi conhecer algumas das moças cuja missão diária consiste em cuidar do meio de campo entre o bom velhinho e a meninada ávida por atenção. “Adoro criança, por isso me divirto bastante no trabalho”, diz uma delas, Bruna Ushijima, 20 anos, em seu segundo Natal no ofício.

Moradora de Santo Amaro, Bruna é, como a maioria das colegas noeletes, modelo. Dá expediente no Shopping Market Place das 10h às 22h. Vai para o trabalho de trem, passando pelas três paradas que separam as estações Jurubatuba e Morumbi — ah, se ela pelo menos pudesse ir de trenó voador puxado por renas, não? “Daqui a 10 anos, quero estar casada e ter minha família”, diz a descendente de japoneses e italianos, que no momento presta vestibular para administração.

Um dos principais contratempos da vida de ajudante do bom velhinho é aturar alguns engraçadinhos que chegam azarando. “Levo muitas cantadas”, conta Bruna. E como se livrar dos incovenientes? Em geral, elas dizem que ali é um local de trabalho e cortam logo a conversa. “Ou a gente finge que não entendeu e sai de perto”, afirma Hellen Nunes, Mamãe Noel do Shopping Center Norte.

Contratada para dar expediente no Shopping Metrô Santa Cruz, Juliana Guimarães, 19 anos, conta já ter ouvido todo tipo de pedido ao Papai Noel. “Um menininho pediu para tirar o pai dele da prisão”, conta. No trajeto de casa, no Ipiranga, ao trabalho, pelo metrô, Juliana pensa no presente de Natal perfeito. “Se pudesse ganhar qualquer coisa, pediria um carro”, diz. Por enquanto, o salário de 1500 reais não comportaria as prestações de um automóvel. Quem sabe se ela conseguir realizar o sonho de cursar arquitetura na Unicamp. “Durante o ano, trabalhei num consultório de oftalmologia, em Moema.”

Noelete

Noelete

Experiência com os baixinhos é quase pré-requisito. “Procuramos gente que gosta de gente”, explica Gabriela Baumgart, gerente de marketing do Shopping Center Norte. Desde sua fundação, há 26 natais, o local conta com Papai Noel e ajudantes. “Preferimos as meninas que têm experiência porque precisa gostar de crianças”, concorda Paulo Mendes, diretor da Cia. do Bafafá, responsável pela seleção do Shopping Metrô Santa Cruz. “Também precisa de muita, muita paciência”, completa.

Os salários são pagos de acordo com a quantidade de dias trabalhados. Em média, as meninas trabalham um mês inteiro — de 24 de novembro a 24 de dezembro. Como recepcionista na Fórmula 1, Hellen Nunes, do Shopping Center Norte, chegou a ganhar 160 reais por dia. Como ajudante de Papai Noel, recebe 35 reais diariamente, num turno de seis horas. “Esse tipo de função costuma ser o primeiro emprego de muitas delas”, afirma Paulo Mendes, da Cia. do Bafafá. Se elas forem boas meninas, quem sabe Papai Noel não dá a elas boas referências?

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