Vocês já ouviram dizer que as enfermeiras da maternidade “trocam o chip” do bebê quando ele vai para casa? Como se na maternidade o bebê dormisse o tempo todo e em casa virasse um bebê bem mais agitado? Então… conosco não foi diferente.
A explicação para essa percepção é simples. Na maternidade em que tive a Laura, os bebês passam grande parte do dia no quarto com a mãe, mas vão para o berçário (e levam parte do nosso coração) para as trocas de turnos, banho, exames e para passar a noite. Na madrugada, eles voltam para uma ou duas mamadas. Por que é assim? Porque a mãe precisa descansar do trabalho de parto, recuperar-se direitinho para que o leite seja produzido e para que na volta para casa não esteja tão estafada. Ou seja, não sabemos como o bebê se comporta durante a noite na maternidade. Além de tudo isso, os três dias em que ficamos na maternidade são dias de muito descanso para o bebê, que passou pela experiência nada agradável de sair daquele quentinho apertado diretamente para as luzes da sala de parto.
+ A chegada dela – parte 1
+ A chegada dela – parte 2
Um parênteses aqui: a sensação de seu bebê não estar dentro da sua barriga (que continua inchada e parece que estamos com 5 meses de gestação por alguns dias) é estranha. Na maternidade, eu sentia movimentos na barriga (gases, entre outras coisas) e me ajeitava na cama como se ela ainda estivesse lá dentro. Quando a levavam para longe de mim, parecia até que faltava o ar: ela não estava nem dentro de mim, nem ao alcance dos meus olhos, dos meus braços.
Ao acordar, eu ia para o vidro do berçário e ficava com cara de “cachorro que caiu do caminhão de mudanças” olhando minha filha, com lágrimas nos olhos, querendo ela comigo. As enfermeiras me viam e levavam a pequena para o quarto. É tudo muito louco: esse amor sem tamanho, maior que tudo, esse sentimento de um “pedaço seu” estar longe de você, ter essa saudade imensa – por menor que seja o tempo distante de você – de alguém que você “acaba de conhecer pessoalmente”, mas que já é o maior amor da sua vida.
Estávamos ansiosos para voltar para casa e começar nossa nova vida. Depois que a alta é dada, você parte com sua coisinha preciosa dentro do bebê conforto. No carro, você percebe que cada buraco ou ondulação na rua parecem tão maiores – e piores – do que você imaginava. Eu chorei até chegar em casa (hahahah) e colocamos a pequena no berço e ficamos babando por algum tempo.
Lembro que, logo no primeiro dia em casa, ela começou a soluçar (e o corpinho todo se mexia junto com o “ic”) e eu não sabia o que fazer. Cheguei até a ligar para a maternidade para checar se aquilo era preocupante, e a enfermeira meio que riu de mim hahahahaha Enfim, tudo calmo… até o dia seguinte.
Como disse anteriormente, eu e meu marido decidimos não ter babá. Nada contra quem tenha, pelo amor de Deus. Cada um com seu cada qual. Mas eu e meu marido queríamos conhecer todos os sons e “desejos” do nosso bebê. Eu queria poder cuidar de tudo junto com ele e, por mais cansativo que tenham sido os primeiros dias – e foi muito mesmo –, eu não poderia ter optado por algo mais lindo, que me fizesse crescer tanto e conhecer tão bem minha filha.
Durante três dias Laura trocou o dia pela noite e chorava de um jeito que partia meu coração. Pesquisei para tentar descobrir como agir e cheguei a chorar de estafa e de desespero. Meu marido, que é mais razão (eu já sou uns 80% emoção, somando aos hormônios ensandecidos do pós-parto então… hahaha), fazia um check list para mim cada vez que o desespero batia:
- Ela está alimentada? Sim.
- Ela está com frio? Não.
- Ela está com cocô? Não.
- Ela está protegida? Sim.
- Então, meu amor, não falta nada. Ela ainda não está no período de cólicas (lá pelos 15, 20 dias de vida). Pegue no colo e veja se ela para.
E ela parava. Era uma espécie de manha. E eu ficava ali com ela. Colocava no berço, chorava. Até que ela foi ficando mais “segura” por ficar sozinha no berço e passou a entender que havia hora para dormir, descansar. Só que até isso acontecer, ela chorava de um lado e eu chorava do outro.
Um dia cheguei a ficar com ela no peito das 11 às 13h, achando que era fome que ela sentia. E é claro que ela ficava toda calma no peito e chorava quando colocada no berço. Meu marido veio, colocou a Laura no berço, esperou ela chorar por 5 minutos e pronto: ela dormiu. Me senti tão idiota hahahahah Mas é assim que aprendemos: observando, anotando, reparando, tentando…
Não podemos esquecer que agora o bebê tem milhares de coisas pra assimilar, tem todo um novo espaço para conhecer (a casa dele, o quarto dele, o berço dele…), assim como conhecer seus pais também. Taí o tal “chip” que trocam na maternidade: lá o bebê está muito mais cansado, dormindo mais, cercado por uma equipe de enfermeiras e você não passa 24 horas vendo e ouvindo cada reação.
Os dias se passaram e ela começou a entrar em uma rotina automaticamente, por repetição mesmo. E eu passei a identificar o choro por manha, o choro por fome, o choro do desconforto por gases. Claro que às vezes não é imediato, mas hoje o fator “desespero” já não existe mais.
Ouvimos milhões de teorias e todo mundo “sabe mais do que a gente”. Meu conselho? Pergunte tudo o que desejar perguntar, seja para uma amiga mais próxima, para a pediatra, para sua mãe, para sua sogra… Pergunte sem qualquer vergonha. E absorva aquilo que importa. As coisas que você ouvir “de graça” e que vierem como “é assim e pronto” deixe entrar por um ouvido e sair pelo outro. Cada bebê é um bebê e não há manual de instruções ou livros que respondam a tudo. Um pouco que você aprende num livro aqui, outro pouco com uma amiga ali, somados com a convivência e as tentativas: isso é que trará segurança .
Hoje, um dia após ela completar um mês, todo esse cansaço e “desespero” dos primeiros dias em casa já parecem muito, mas muito distantes. E o amor por ela é cada dia maior, MUITO maior…
Aff, Mari… Não cansa de me emocionar… Entro no seu blog e já sei que vou desidratar…. rs
Coisa mais linda esse amor, que espero um dia sentir!
Um texto com cerca de 10 parágrafos e eu li quase “sem sentir”. Devorando cada palavra e imaginando cada cena (sempre que leio imagino as cenas). Rindo e chorando… rs.
Que lindo Mariana, que emocionante ler a sua emoção! Laura é uma garotinha de muita sorte por ter pais que a amam tão intensamente, que tem tanto interesse em cada coisinha sobre ela. Vocês são uma família abençoada! Parabéns!
Lindo texto, dá vontade de ser mãe haha!
Parabéns Mari…pela pequena Laura, por esse amor todo…desejo que seja muito feliz.
Acho bacana vc preservar a imagem dela, adoro essas fotos onde monstram a mão, o pézinho…coloca uma foto do pé de bisnaguinha vai!!! ADORO!
Muitas felicidades!!
Emocionadíssima p/ variar com suas palavras, mas que me identifico d+!
Mari, você sempre nos emocionando e enchendo nossos corações de amor!
Imaginei CADA cena citada acima!
Coisa mais linda e inenarrável essa sua nova fase, Laurinha, e essa nova família formada.
Que Deus abençõe cada mais mais, cada um de vocês, sempre!
Beijos nessa família linda e iluminada.
MAri…Sim, Mari pois depois que conheci o seu blog me senti como se já te conhecesse …
CAda dia que passa fico mais emocionada com seus posts e tb me identifico com algumas experiências… Tenho um bebe de 6 meses, Murilo e embora tb tenha a princesa Pietra de 7 anos, passei por medos como vc. Cada bebe e diferente. Todos os medos com o Murilo foram diferentes do que os da Pietra e por ai vai! Chorava todos os dias durante o primeiro mes!
outro fator que me identifiquei foi no post da sua vó… A minha sempre me ajudou, era minha companheira de todas as horas e quando minha mae não podia me acompanhar, la ia ela pra todo canto. Eis que em nov de 2010, levei a Pietra p conhecer a Disney e lá descobri minha gravidez. quando voltei, ela que era super saudável, estava péssima com uma infeccao urinária que tinha acabado com ela…
Contar p ela, em uma cama de hospital , partiu meu coração… ela voltou p casa e la ia eu e meu barrigão de quase 30 kg ajudar no banho, nas trocas, enfim! E até hj não sei se ela entendeu que iria ter mais um bisneto…. e a minha filha mais velha pergunta por ela todos os dias pois brincavam de batizar as bonecas, de casinha. mesmo com 83 anos ficava só com a bisneta! enfim… seu blog é o melhor dos últimos tempos! Parabéns!
Não se esqueça nunca que a maior especialista em Laurinha é você, que é mãe dela e a conhece melhor do que ninguém. Eu demorei um pouco pra descobrir isso e ficava me baseando nos livros, nos blogs etc até perceber que eu tinha que fazer meu próprio mix disso tudo.
beijocas nas duas lindonas
Bebe recem nascido não faz manha. Ela passou 9 meses sem que tivesse hora pra comer, dormir etc:esta se acostumando e se adaptando ao mundo aqui fora.
Melhor dica que posso tr dar: livro Pediatria Radical e ‘o bebe mais feliz do pedaco’, do Dr. Karp mudaram a minha vida.
Vida longa e prospera para seu bebe !
Maricota, que saudade de você. Tô louco pra conhecer a Laurinha. Muita saúde e tranquilidade para você, seu marido, Laurinha e sua mãe. Beijoos!!
Como pode né Mari, a gente amar tanto alguém que conhecemos há tão pouco tempo??? Eu fico reclamando da minha lutadora de jiu jitsu mas amo sentí-la mexer… É maravilhoso, eu sempre repito pra mim mesma, é um amor incondicional que nunca acaba, pode acabar o amor entre amigos, namorados, mas entre pais e filhos, nunca se esgota…
Mari.. escreve um livro !!! vc é perfeita como cantora, autora e Mãe !!!
Ai, amo tanto quando aparece atualização do blog no meu Reader!!!
E a vontade de ver o rostinho dela?
Coisa mais linda!
;D
Oi, Mariana! Que lindo mesmo seu texto. Minha filha fez um ano dia 18/01 e quando falavam não acreditava, mas tudo isso passa tão depressa.. Quando vc vê sua pequenininha esta cada dia aprendendo algo, crescendo e seu amor por ela proporcionalmente! Quando estava na maternidade, me deram a opção de escolher se queria ficar com ela o tempo todo no quarto e fiquei, apesar de exausta e me recuperando, não ia conseguir ficar longe depois de finalmente ter ela comigo. Tb não tive baba e é cansativo demais… mas vale cada segundo! Muita saúde pra sua bebe! Bjs
Oi Mariana,
Da última vez em que estive aqui, o Pedro ainda estava na minha barriga e eu chorei horrores com os dois capítulos sobre a chegada da Laura. Hoje meu príncipe está com 15 dias e seu post me fez rir pensando e confirmando: Cada bebê é de um jeitinho mesmo, sem fórmulas!
Desde o primeiro dia ele ficou direto conosco no quarto, as enfermeiras só buscavam se chamássemos e nunca chamamos. Muito calmo por lá, ele continua assim em casa e parece um reloginho, graças a Deus! rs
Aqui também temos soluços e momentos de “o que você quer filho?”.
Não temos babá, nada contra, mas não queremos. O amor?? É mesmo o maior do mundo e só faz crescer e crescer.
Parabéns mais uma vez e toda felicidade e saúde sempre para vocês!!!
Beijos,
Lu
Mariana foi ótimo “encontrar” esse tempinho para passar por aqui. João Miguel está com 15 dias e tem horas em que fico à beira de um surto porque ele não quer ficar no berço, não quer ficar no carrinho, não quer ficar com ninguém a não ser no meu colo. Já fiquei praticamente um dia inteiro sem comer porque era só ameaçar colocá-lo no berço para ele começar a chorar e gritar até perder o fôlego.
Tem horas em que sento e choro de desespero, me sinto meio “fracassada” como mãe pois não sei bem o que fazer.
Meu marido disse que quando não for fome, fralda suja ou dor eu preciso ser forte e deixá-lo chorar alguns minutos para que ele acostume a ficar sozinho no berço, porque ele já ‘entendeu’ que seu choro me manipula. Tomara que eu tenha essa coragem.
Foi muito bom ver que não sou a única a passar por isso, não sou a única a entrar em desespero e saber que isso passa.
Beijos.
Ai Mariana!! Que texto mais lindo. Viajei no tempo e me lembrei de quando tive meu Miguel (que hj tem 7 meses) e entendo tudo aquilo que vc disse. Pouco antes dele nascer, eu já tinha decidido que seria uma mãe FULL TIME. Não quis que ninguém me ajudasse no pós parto imediato e mergulhei de cabeça neste lindo mundo chamado maternidade!!! Resolvi que o criaria com o meu coração: não importaria o que dissessem, se meu coração indicasse que estava certo, nem o Papa me faria mudar. E tem dado super certo. Meu pequeno hj já come papinhas e frutas, está quase engatinhando, e já não é mais tão meu bebezinho!!!
Só um conselho muito útil: aproveite muito a sua Laura!!! Quando vc assustar ela estará indo pra escola!!!
Beijos…….
Voltei ao tempo quando li seu texto.
Meu 1o filho vai fazer 18 anos mês que vem, passa tão rápido.
Tenho 4 filhos, todos meninos, e posso garantir que passei por tudo isso nas 4 vezes.
Justamente porcausa daquilo que vc descreveu tão bem: cada bebê tem um jeito. Cada um é cada um e ponto.
Bjo prá vc, e parabéns pela decisão de não ter babá, eu também não tive nenhuma das 4 vezes. Não me arrependo!!!
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