VEJA São Paulo

Mãe de Primeira Viagem – Mariana Belém
  • Os primeiros dias em casa…

    Postado em 01/02/2012 às 22:36 por Mariana Belém | 18 comentários

    Amor maior do mundo...

    Vocês já ouviram dizer que as enfermeiras da maternidade “trocam o chip” do bebê quando ele vai para casa? Como se na maternidade o bebê dormisse o tempo todo e em casa virasse um bebê bem mais agitado? Então… conosco não foi diferente.

    A explicação para essa percepção é simples. Na maternidade em que tive a Laura, os bebês passam grande parte do dia no quarto com a mãe, mas vão para o berçário (e levam parte do nosso coração) para as trocas de turnos, banho, exames e para passar a noite. Na madrugada, eles voltam para uma ou duas mamadas. Por que é assim? Porque a mãe precisa descansar do trabalho de parto, recuperar-se direitinho para que o leite seja produzido e para que na volta para casa não esteja tão estafada. Ou seja, não sabemos como o bebê se comporta durante a noite na maternidade. Além de tudo isso, os três dias em que ficamos na maternidade são dias de muito descanso para o bebê, que passou pela experiência nada agradável de sair daquele quentinho apertado diretamente para as luzes da sala de parto.

    + A chegada dela – parte 1
    + A chegada dela – parte 2

    Um parênteses aqui: a sensação de seu bebê não estar dentro da sua barriga (que continua inchada e parece que estamos com 5 meses de gestação por alguns dias) é estranha. Na maternidade, eu sentia movimentos na barriga (gases, entre outras coisas) e me ajeitava na cama como se ela ainda estivesse lá dentro. Quando a levavam para longe de mim, parecia até que faltava o ar: ela não estava nem dentro de mim, nem ao alcance dos meus olhos, dos meus braços.

    Ao acordar, eu ia para o vidro do berçário e ficava com cara de “cachorro que caiu do caminhão de mudanças” olhando minha filha, com lágrimas nos olhos, querendo ela comigo. As enfermeiras me viam e levavam a pequena para o quarto. É tudo muito louco: esse amor sem tamanho, maior que tudo, esse sentimento de um “pedaço seu” estar longe de você, ter essa saudade imensa – por menor que seja o tempo distante de você – de alguém que você “acaba de conhecer pessoalmente”, mas que já é o maior amor da sua vida.

    Estávamos ansiosos para voltar para casa e começar nossa nova vida. Depois que a alta é dada, você parte com sua coisinha preciosa dentro do bebê conforto. No carro, você percebe que cada buraco ou ondulação na rua parecem tão maiores – e piores – do que você imaginava. Eu chorei até chegar em casa (hahahah) e colocamos a pequena no berço e ficamos babando por algum tempo.

    Lembro que, logo no primeiro dia em casa, ela começou a soluçar (e o corpinho todo se mexia junto com o “ic”) e eu não sabia o que fazer. Cheguei até a ligar para a maternidade para checar se aquilo era preocupante, e a enfermeira meio que riu de mim hahahahaha Enfim, tudo calmo… até o dia seguinte.

    Como disse anteriormente, eu e meu marido decidimos não ter babá. Nada contra quem tenha, pelo amor de Deus. Cada um com seu cada qual. Mas eu e meu marido queríamos conhecer todos os sons e “desejos” do nosso bebê. Eu queria poder cuidar de tudo junto com ele e, por mais cansativo que tenham sido os primeiros dias – e foi muito mesmo –, eu não poderia ter optado por algo mais lindo, que me fizesse crescer tanto e conhecer tão bem minha filha.

    Durante três dias Laura trocou o dia pela noite e chorava de um jeito que partia meu coração. Pesquisei para tentar descobrir como agir e cheguei a chorar de estafa e de desespero. Meu marido, que é mais razão (eu já sou uns 80% emoção, somando aos hormônios ensandecidos do pós-parto então… hahaha), fazia um check list para mim cada vez que o desespero batia:

    - Ela está alimentada? Sim.

    - Ela está com frio? Não.

    - Ela está com cocô? Não.

    - Ela está protegida? Sim.

    - Então, meu amor, não falta nada. Ela ainda não está no período de cólicas (lá pelos 15, 20 dias de vida). Pegue no colo e veja se ela para.

    E ela parava. Era uma espécie de manha. E eu ficava ali com ela. Colocava no berço, chorava. Até que ela foi ficando mais “segura” por ficar sozinha no berço e passou a entender que havia hora para dormir, descansar. Só que até isso acontecer, ela chorava de um lado e eu chorava do outro.

    Um dia cheguei a ficar com ela no peito das 11 às 13h, achando que era fome que ela sentia. E é claro que ela ficava toda calma no peito e chorava quando colocada no berço. Meu marido veio, colocou a Laura no berço, esperou ela chorar por 5 minutos e pronto: ela dormiu. Me senti tão idiota hahahahah Mas é assim que aprendemos: observando, anotando, reparando, tentando…

    Não podemos esquecer que agora o bebê tem milhares de coisas pra assimilar, tem todo um novo espaço para conhecer (a casa dele, o quarto dele, o berço dele…), assim como conhecer seus pais também. Taí o tal “chip” que trocam na maternidade: lá o bebê está muito mais cansado, dormindo mais, cercado por uma equipe de enfermeiras e você não passa 24 horas vendo e ouvindo cada reação.

    Os dias se passaram e ela começou a entrar em uma rotina automaticamente, por repetição mesmo. E eu passei a identificar o choro por manha, o choro por fome, o choro do desconforto por gases. Claro que às vezes não é imediato, mas hoje o fator “desespero” já não existe mais.

    Ouvimos milhões de teorias e todo mundo “sabe mais do que a gente”. Meu conselho? Pergunte tudo o que desejar perguntar, seja para uma amiga mais próxima, para a pediatra, para sua mãe, para sua sogra… Pergunte sem qualquer vergonha. E absorva aquilo que importa. As coisas que você ouvir “de graça” e que vierem como “é assim e pronto” deixe entrar por um ouvido e sair pelo outro. Cada bebê é um bebê e não há manual de instruções ou livros que respondam a tudo. Um pouco que você aprende num livro aqui, outro pouco com uma amiga ali, somados com a convivência e as tentativas: isso é que trará segurança .

    Hoje, um dia após ela completar um mês, todo esse cansaço e “desespero” dos primeiros dias em casa já parecem muito, mas muito distantes. E o amor por ela é cada dia maior, MUITO maior…

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    18 comentários para "Os primeiros dias em casa…":

    1. Comentado em 01/02/2012 às 22:51 por Luiza:

      Aff, Mari… Não cansa de me emocionar… Entro no seu blog e já sei que vou desidratar…. rs
      Coisa mais linda esse amor, que espero um dia sentir!

    2. Comentado em 01/02/2012 às 23:00 por Lívia Macedo:

      Um texto com cerca de 10 parágrafos e eu li quase “sem sentir”. Devorando cada palavra e imaginando cada cena (sempre que leio imagino as cenas). Rindo e chorando… rs.
      Que lindo Mariana, que emocionante ler a sua emoção! Laura é uma garotinha de muita sorte por ter pais que a amam tão intensamente, que tem tanto interesse em cada coisinha sobre ela. Vocês são uma família abençoada! Parabéns!

    3. Comentado em 01/02/2012 às 23:08 por Giz:

      Lindo texto, dá vontade de ser mãe haha!

      Parabéns Mari…pela pequena Laura, por esse amor todo…desejo que seja muito feliz.

      Acho bacana vc preservar a imagem dela, adoro essas fotos onde monstram a mão, o pézinho…coloca uma foto do pé de bisnaguinha vai!!! ADORO!

      Muitas felicidades!!

    4. Comentado em 01/02/2012 às 23:15 por Eva Costa:

      Emocionadíssima p/ variar com suas palavras, mas que me identifico d+!

    5. Comentado em 01/02/2012 às 23:26 por Karina:

      Mari, você sempre nos emocionando e enchendo nossos corações de amor!
      Imaginei CADA cena citada acima!
      Coisa mais linda e inenarrável essa sua nova fase, Laurinha, e essa nova família formada.
      Que Deus abençõe cada mais mais, cada um de vocês, sempre!

      Beijos nessa família linda e iluminada.

    6. Comentado em 01/02/2012 às 23:46 por Thaisa:

      MAri…Sim, Mari pois depois que conheci o seu blog me senti como se já te conhecesse …
      CAda dia que passa fico mais emocionada com seus posts e tb me identifico com algumas experiências… Tenho um bebe de 6 meses, Murilo e embora tb tenha a princesa Pietra de 7 anos, passei por medos como vc. Cada bebe e diferente. Todos os medos com o Murilo foram diferentes do que os da Pietra e por ai vai! Chorava todos os dias durante o primeiro mes!
      outro fator que me identifiquei foi no post da sua vó… A minha sempre me ajudou, era minha companheira de todas as horas e quando minha mae não podia me acompanhar, la ia ela pra todo canto. Eis que em nov de 2010, levei a Pietra p conhecer a Disney e lá descobri minha gravidez. quando voltei, ela que era super saudável, estava péssima com uma infeccao urinária que tinha acabado com ela…

    7. Comentado em 01/02/2012 às 23:49 por Thaisa:

      Contar p ela, em uma cama de hospital , partiu meu coração… ela voltou p casa e la ia eu e meu barrigão de quase 30 kg ajudar no banho, nas trocas, enfim! E até hj não sei se ela entendeu que iria ter mais um bisneto…. e a minha filha mais velha pergunta por ela todos os dias pois brincavam de batizar as bonecas, de casinha. mesmo com 83 anos ficava só com a bisneta! enfim… seu blog é o melhor dos últimos tempos! Parabéns!

    8. Comentado em 02/02/2012 às 00:28 por Ju Mattoni:

      Não se esqueça nunca que a maior especialista em Laurinha é você, que é mãe dela e a conhece melhor do que ninguém. Eu demorei um pouco pra descobrir isso e ficava me baseando nos livros, nos blogs etc até perceber que eu tinha que fazer meu próprio mix disso tudo.
      beijocas nas duas lindonas

    9. Comentado em 02/02/2012 às 00:41 por Notivaga:

      Bebe recem nascido não faz manha. Ela passou 9 meses sem que tivesse hora pra comer, dormir etc:esta se acostumando e se adaptando ao mundo aqui fora.
      Melhor dica que posso tr dar: livro Pediatria Radical e ‘o bebe mais feliz do pedaco’, do Dr. Karp mudaram a minha vida.
      Vida longa e prospera para seu bebe !

    10. Comentado em 02/02/2012 às 01:43 por Joao Naiff:

      Maricota, que saudade de você. Tô louco pra conhecer a Laurinha. Muita saúde e tranquilidade para você, seu marido, Laurinha e sua mãe. Beijoos!!

    11. Comentado em 02/02/2012 às 13:39 por Gisele.Oliveira (mãe da Mariana):

      Como pode né Mari, a gente amar tanto alguém que conhecemos há tão pouco tempo??? Eu fico reclamando da minha lutadora de jiu jitsu mas amo sentí-la mexer… É maravilhoso, eu sempre repito pra mim mesma, é um amor incondicional que nunca acaba, pode acabar o amor entre amigos, namorados, mas entre pais e filhos, nunca se esgota…

    12. Comentado em 02/02/2012 às 18:11 por July:

      Mari.. escreve um livro !!! vc é perfeita como cantora, autora e Mãe !!!

    13. Comentado em 02/02/2012 às 20:00 por Marcela:

      Ai, amo tanto quando aparece atualização do blog no meu Reader!!!
      E a vontade de ver o rostinho dela?

      Coisa mais linda!

      ;D

    14. Comentado em 02/02/2012 às 20:49 por Silvia:

      Oi, Mariana! Que lindo mesmo seu texto. Minha filha fez um ano dia 18/01 e quando falavam não acreditava, mas tudo isso passa tão depressa.. Quando vc vê sua pequenininha esta cada dia aprendendo algo, crescendo e seu amor por ela proporcionalmente! Quando estava na maternidade, me deram a opção de escolher se queria ficar com ela o tempo todo no quarto e fiquei, apesar de exausta e me recuperando, não ia conseguir ficar longe depois de finalmente ter ela comigo. Tb não tive baba e é cansativo demais… mas vale cada segundo! Muita saúde pra sua bebe! Bjs

    15. Comentado em 03/02/2012 às 01:08 por Luana Siqueira:

      Oi Mariana,

      Da última vez em que estive aqui, o Pedro ainda estava na minha barriga e eu chorei horrores com os dois capítulos sobre a chegada da Laura. Hoje meu príncipe está com 15 dias e seu post me fez rir pensando e confirmando: Cada bebê é de um jeitinho mesmo, sem fórmulas!

      Desde o primeiro dia ele ficou direto conosco no quarto, as enfermeiras só buscavam se chamássemos e nunca chamamos. Muito calmo por lá, ele continua assim em casa e parece um reloginho, graças a Deus! rs

      Aqui também temos soluços e momentos de “o que você quer filho?”.

      Não temos babá, nada contra, mas não queremos. O amor?? É mesmo o maior do mundo e só faz crescer e crescer.

      Parabéns mais uma vez e toda felicidade e saúde sempre para vocês!!!

      Beijos,
      Lu

    16. Comentado em 03/02/2012 às 11:56 por Carine Gimenez:

      Mariana foi ótimo “encontrar” esse tempinho para passar por aqui. João Miguel está com 15 dias e tem horas em que fico à beira de um surto porque ele não quer ficar no berço, não quer ficar no carrinho, não quer ficar com ninguém a não ser no meu colo. Já fiquei praticamente um dia inteiro sem comer porque era só ameaçar colocá-lo no berço para ele começar a chorar e gritar até perder o fôlego.
      Tem horas em que sento e choro de desespero, me sinto meio “fracassada” como mãe pois não sei bem o que fazer.
      Meu marido disse que quando não for fome, fralda suja ou dor eu preciso ser forte e deixá-lo chorar alguns minutos para que ele acostume a ficar sozinho no berço, porque ele já ‘entendeu’ que seu choro me manipula. Tomara que eu tenha essa coragem.
      Foi muito bom ver que não sou a única a passar por isso, não sou a única a entrar em desespero e saber que isso passa.
      Beijos.

    17. Comentado em 03/02/2012 às 13:29 por Patrícia Vetachi:

      Ai Mariana!! Que texto mais lindo. Viajei no tempo e me lembrei de quando tive meu Miguel (que hj tem 7 meses) e entendo tudo aquilo que vc disse. Pouco antes dele nascer, eu já tinha decidido que seria uma mãe FULL TIME. Não quis que ninguém me ajudasse no pós parto imediato e mergulhei de cabeça neste lindo mundo chamado maternidade!!! Resolvi que o criaria com o meu coração: não importaria o que dissessem, se meu coração indicasse que estava certo, nem o Papa me faria mudar. E tem dado super certo. Meu pequeno hj já come papinhas e frutas, está quase engatinhando, e já não é mais tão meu bebezinho!!!
      Só um conselho muito útil: aproveite muito a sua Laura!!! Quando vc assustar ela estará indo pra escola!!!

      Beijos…….

    18. Comentado em 11/02/2012 às 21:28 por Rosa:

      Voltei ao tempo quando li seu texto.
      Meu 1o filho vai fazer 18 anos mês que vem, passa tão rápido.
      Tenho 4 filhos, todos meninos, e posso garantir que passei por tudo isso nas 4 vezes.
      Justamente porcausa daquilo que vc descreveu tão bem: cada bebê tem um jeito. Cada um é cada um e ponto.
      Bjo prá vc, e parabéns pela decisão de não ter babá, eu também não tive nenhuma das 4 vezes. Não me arrependo!!!

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