Cantora inglesa descoberta nas ruas do Rio, Jesuton fala sobre a sua trajetória

Filha de pai nigeriano e mãe jamaicana, a inglesa de 27 anos se instalou no Rio de Janeiro em março de 2012 com o objetivo de apostar na carreira de cantora. Durante um passeio por Ipanema, viu um músico francês se apresentando na rua. Após pegar algumas dicas com o rapaz, ela seguiu o mesmo […]

A cantora inglesa: das ruas do Rio de Janeiro para as casas de espetáculos (Foto: Guto Costa)

Filha de pai nigeriano e mãe jamaicana, a inglesa de 27 anos se instalou no Rio de Janeiro em março de 2012 com o objetivo de apostar na carreira de cantora. Durante um passeio por Ipanema, viu um músico francês se apresentando na rua. Após pegar algumas dicas com o rapaz, ela seguiu o mesmo caminho e logo um vídeo no qual interpretava Wild Horses, dos Rolling Stones, se tornou um fenômeno na internet. Bingo! Influenciada pela soul music, a moça lança agora o seu disco de estreia, Encontros, no Tom Jazz.  Ao lado de quatro instrumentistas, a artista entoa todas as faixas do álbum, além de uma versão de Come Together, dos Beatles. Carregada de emoção, ela mostra O Mundo É um Moinho, de Cartola. A seguir, Jesuton fala sobre a virada em sua vida:

Quando surgiu o seu interesse pelo Brasil?

Fazia tempo que eu estava interessada pela América Latina. Já conhecia o Equador e o Peru, mas várias pessoas que passaram por mim falaram bem do Brasil. Isso despertou uma curiosidade. Quando cheguei aqui, juntei a vontade de conhecer o país com o desejo de viver de música.

Qual foi a sua trajetória?

Percorri o mundo todo até chegar aqui. Morei dois anos no Peru, dois anos nos Estados Unidos e voltei para a Inglaterra. Lá, eu estava trabalhando em um sindicado. Acabei vindo para o Brasil com o meu marido, Javier. Ele é um chef argentino, mas nos conhecemos no Peru.

Por que começou a cantar pelas ruas do Rio de Janeiro?

Eu queria encontrar um jeito de viver de música. Durante um passeio por Ipanema, ouvi uma voz linda cantando. Era um cantor francês que usava um amplificador. Aquele momento foi muito especial, porque percebi que eu poderia fazer o mesmo. Ele me apoiou bastante e deu várias dicas sobre o equipamento.

Quanto tempo cantou pelas ruas?

Após conhecer o francês, demorei um tempo para começar a cantar. Eu precisava de um amplificador e era muito caro. Depois que comecei, fiquei só um mês e meio nas ruas, mas aprendi muito durante esse período. As pessoas interrompiam as suas rotinas só para me ouvir. Eu ficava surpresa, porque tinha gente que ficava ali por duas horas, chorava….

Jesuton: “O meu trabalho é resultado da necessidade e também de muita sorte” (Foto: Guto Costa)

E como você foi descoberta?

O meu trabalho é resultado da necessidade e também de muita sorte. Eu voltei de um show na rua e vi que tinha um vídeo meu bombando na internet. Considero que foram as pessoas que compartilharam esse vídeo que me descobriram. O apresentador Luciano Huck também foi importante. Depois de me assistir na internet, ele decidiu me procurar. Tudo isso não teria sido possível sem o apoio dele. O Luciano me elevou a outro nível. Conheci a Som Livre e agora estou com o meu primeiro disco nas lojas.

Qual critério usou na hora de escolher as músicas do disco?

Minha principal preocupação era fazer um trabalho representativo. Vivi muitas coisas, passei por muitos países e conheci vários gêneros. Eu queria juntar todas as influências, mesmo que distintas, no trabalho. Então pensei em músicas que têm relação com o meu passado e com o meu presente aqui no Brasil.

Você tinha alguma influência da música brasileira?

Gosto de Tom Jobim e de João Bosco, mas agora estou conhecendo um mundo sem fim de músicos brasileiros. Sou apaixonada por Cássia Eller e Adriana Calcanhotto. Também gosto do trabalho de Marcelo Camelo, Silva, Dani Black, Seu Jorge e Ana Carolina.

Qual a sua música brasileira favorita?

Isso muda quase todos os dias, mas O Mundo É um Moinho, do Cartola, tem um espaço especial no meu coração. Quando ouvi a canção pela primeira vez, eu não sabia o significado das palavras, mas sentia uma conexão tão forte a ponto de entendê-la.

Como foi se apresentar com o Seu Jorge em um programa de TV?

Muito especial, porque ele foi o primeiro cantor brasileiro que eu conheci. Quando eu estava na faculdade, em Oxford, ele fez muito sucesso com os covers de David Bowie. Naquele momento, nem me dei conta de que ele era brasileiro. Mas gostava muito. Durante o período de gravação do meu disco, o (produtor) Rodrigo Vidal disse que o Seu Jorge queria cantar comigo. Fiquei tão feliz e eu não podia falar nada. Ele foi muito gentil.

Pretende ficar no país?

Eu estou curtindo muito o Brasil. Quando fiz os planos de morar aqui, muitos amigos disseram que  talvez eu não me adaptasse. Além da conexão forte que sinto com o país, acho que tudo o que aconteceu comigo é uma confirmação para  ficar.

 

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