Dez diversões da época em que criança ainda brincava na rua

Carrinho de rolimã, pião, Corre Cotia: uma lista para relembrar as brincadeiras que reuniam a molecada da vizinhança e eram fonte de diversão por horas

O tempo não para. As coisas mudam, velhos costumes são esquecidos e velhas brincadeiras se tornam apenas gostosas lembranças de uma infância feliz. Daqui a uns 30 anos, as crianças de hoje falarão de como foi legal presenciar a revolução dos videogames e como a tecnologia fez com que elas conhecessem e conversassem com crianças do mundo todo sem sair de casa.

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Para nós, crianças de 20, 30 ou 40 anos atrás, a saudade é de uma infância mais agitada, quando brincar na rua não fazia mal, e onde as coisas mais simples eram fonte de diversão por horas. Veja algumas das brincadeiras que sempre reuniam crianças nos anos 70 e 80 — muitas delas ainda resistem ao tempo, mas são cada vez mais raras de se ver.

Pião

O tipo feito de madeira e com uma ponta de prego como base era mais comum e o que melhor funcionava. Bastava enrolar a fieira e jogá-lo ao chão, fazendo-o girar. Tinha muita técnica envolvida nisso. Os maiores bambambãs conseguiam dar ao pião uma velocidade de giro espantosa, fazendo-o zunir, como a gente falava na época.

Outros conseguiam pegá-lo na palma da mão enquanto girava. Diversos jogos eram feitos com ele, e o mais comum era desenhar um círculo no chão com alguns piões dentro, e a gente tentava tirá-los de lá quando fazíamos o pião girar. Os que saíam do círculo, a gente ganhava, contanto é claro, que o nosso pião continuasse rodando e também saísse do círculo!

Pipa

Tudo bem, a pipa é super antiga, e também nunca vai morrer. Mas nos anos 70, toda criança tinha a sua. Dava pra saber quando tinham começado as férias escolares só pelo número de pipas no céu. E não tinha essa de ficar enrolando a linha num carretel especial, não. O negócio era lata de Nescau com linha 10 da Corrente. E cerol, que no meu bairro chamavam de “cortante”.

Taco

Todo mundo gostava de jogar Taco. Dois times, cada um com dois integrantes, um time joga a bola tentando derrubar uma pequena armação, normalmente feita de gravetos ou palitos de sorvete, o outro time rebate, tentando evitar isso. Quando o rebatedor consegue rebater a bola, os dois rebatedores trocam de lado, cruzando os tacos no meio do caminho, e aí o ponto é marcado. Quando aquele que joga a bola consegue derrubar a armação (chamada de casa), então os jogadores trocam função. Quem rebatia, passa a lançar a bola, e vice versa.

Mãe da rua

Essa é pra uma turma grande. Escolhe-se alguém para ser a “mãe-da-rua”, e o resto das crianças é dividido em dois times. Os times devem atravessar a rua, sem deixar que a mãe-da-rua toque neles, senão, quem for tocado está fora. Mas a mãe-da-rua tem poderes e pode dificultar a travessia, por exemplo, mandando que as pessoas atravessem pulando num pé só. Quando acabarem os participantes de um time, ou outro é declarado vencedor.

Aro

Simples, mas muito divertido! A ideia é rolar um pequeno aro, controlando por um arame, sem que deixe o aro cair. Me lembro que o pessoal da rua de cima era craque nisso, eles vinham em turma, todos controlando seus aros com perfeição.

Estilingue

Longe de ser politicamente incorreto, o estilingue – ou atiradeira era usado sim pra matar passarinhos naquele tempo. Mas também tinha outras brincadeiras menos condenáveis, como um campeonato de derrubar latas com estilingue que teve uma vez na minha rua!

Bolinha de gude

Clássicos dos clássicos, jogar com bolinhas de gude é uma atividade que remonta à antiguidade. Não somos tão velhos, mas o jogo de bolinha de gude que se jogava na rua nos anos 70 era tão importante que até definia os meninos mais respeitados do pedaço. Normalmente feitas de vidro, mas também com versões em metal, elas precisavam de uma técnica toda especial para serem jogadas com força, coisa que eu nunca consegui…

Corre Cotia

As crianças formam uma roda e tapam os olhos. Uma das crianças pega um lenço (ou alguma outra coisa pequena), e fica passando por trás das outras crianças que estão na roda, cantando “Corre cotia na casa da tia, corre cipó na casa da vó. Lencinho na mão caiu no chão, moça bonita do meu coração”.

Quando a música acaba, ela deixa o lenço cair atrás de uma criança, que ao abrir os olhos, deve correr pra pegar aquela que deixou cair o lenço, que por sua vez, deve correr até tomar o lugar daquela que corria atrás dela. Se conseguir, a criança que foi pega está fora da brincadeira. Se não conseguir, a criança que correu atrás começa o processo de novo, cantando e deixando o lenço cair atrás de alguém.

Carrinho de rolimã

Ápice da engenharia automobilística dos anos 70 eram os nossos carrinhos de rolimã. Feitos com restos de madeira e rolimãs de aço que faziam um barulho muito característico quando passavam zunindo pelas ladeiras recém asfaltadas daqueles tempos. Nada de capacete ou joelheiras!

A gente confiava muito nos freios feitos à base de borracha de pneu! Me lembro que um vizinho tinha um carrinho desses, mas no lugar de rolimãs, ele tinha rodinhas de borracha, super silenciosas e que rodavam muito mais livres. Seria como ter um carro elétrico no meio de meros motores à combustão.

Cinco Marias

Jogado com cinco pedras de igual tamanho, ou cinco saquinhos de tecido, preenchidos com areia. Funciona assim: jogamos as cinco marias no chão, escolhemos uma e a jogamos pra cima. Pegamos uma das que estão no chão, sem tocar as outras, e pegamos aquela que jogamos para o alto antes que ela caia. Fazemos isso com todas as pedras restantes.

Na etapa seguinte, o procedimento é o mesmo, mas pegamos duas pedras de cada vez. Na terceira vez, pegamos 3 pedras de uma vez, e a quarta pedra por último. Quanto estivermos com todas as pedras na mão, atiramos uma para o alto e vamos devolvendo ao chão uma por uma, e pegamos a que jogamos antes que caia. E assim por diante.

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