A Princesa e o Cavaleiro, um dos avós dos animes atuais

As animações japonesas de hoje devem muito a este desenho dos anos 60

As maiores lembranças dos tempos de criança de quem hoje está na casa nos 40 e poucos, ou 50 anos, não são os brinquedos, os lugares que visitou, ou as broncas da mãe. A infância destas pessoas está diretamente ligada à televisão, principalmente os desenhos animados que eram exibidos nas décadas de 70 e 80. Eram desenhos de todos os tipos, dos mais inocentes aos mais elaborados, mas todos eles têm uma coisa em comum: invariavelmente ficaram na nossa memória.
A recente onda de Animes deve sua existência aos desenhos japoneses dos anos 60 e 70, que já flertavam com temas bem mais “cabeça” do que seus primos americanos. Sem dúvida um dos maiores expoentes dessa época é o nosso tema de hoje.

A Princesa e o Cavaleiro surgiu como um mangá de Osamu Tezuka, que narra as aventuras e desventuras da princesa Safiri, que tem de fingir que é homem, para herdar o trono da Terra de Prata. O título original em japonês é Ribon no Kishi, que significa algo como “o cavaleiro de fita no cabelo”. O mangá foi publicado pela primeira vez em 1953, e teve três versões.

(Acervo/Divulgação)

No Céu, antes de descerem para a Terra, as crianças recebem um coração. Para os meninos, azul. Para as meninas, rosa. Certa vez, o anjinho Ching, em mais uma de suas travessuras, faz uma menina engolir o coração azul e graças a isso ela fica com dois corações. Deus manda o anjo descer à Terra para pegar de volta o coração de menino e não permite que ele volte ao céu até que dê um fim à confusão que começou. E o pior: Ching deve descer à Terra como um simples mortal. Essa menina que ficou com dois corações é a Princesa Safiri.

(Acervo/Divulgação)

No Reino da Terra de Prata, as leis determinam que os governantes sejam homens. Por isso, quando nasce a Princesa Safiri, ela é anunciada por engano como um menino ao invés de uma menina e seus pais são obrigados a manter a farsa, já que na linha de sucessão existe o malvado Duque Duralumínio, um baixinho careca, com cara engraçada, e seu filho, o príncipe Plástico, que só quer saber de comer doces. Com a ajuda de seu braço direito, Nylon, o duque tenta descobrir a verdade sobre Safiri desde o nascimento dela para poder retirá-la do trono e colocar o seu próprio filho nele. Ching acaba ficando amigo da princesa Safiri, e a protege de perigos, mas ela não aceita que ele retire dela o coração masculino.
Quando completa quinze anos, em um baile de Carnaval, Safiri conhece o príncipe Franz e se apaixona por ele. Daí em diante, muitos obstáculos surgem entre os dois como Satã, Madame Inferno, uma bruxa que deseja o coração de menina para sua filha, a bruxinha Heckett, além de problemas no reino e das tentativas do Duque Duralumínio de provar que Safiri é, de fato, uma garota.

Duque Duralumínio e seu comparsa Nylon (Acervo/Divulgação)

Em 1967, a Fuji TV do Japão estreou o anime, que durou 52 episódios, ficando no ar até 1968. No Brasil, a estreia foi no início da década de 70, na TV Record de São Paulo. A última vez que foi ao ar no Brasil foi no início dos anos 80, marcando toda uma geração.
Os 52 episódios formam uma estória completa, com começo, meio e fim, e os últimos contam o final da estória da princesa, quando ela ascende ao trono, após a morte de seus pais, e também se casa com o Príncipe Franz após contar a ele toda a verdade sobre a sua vida.
Osamu Tezuka, o criador de Safiri, também é o autor de outros mangás que acabaram virando desenhos animados de sucesso, inclusive no Brasil, como Kimba o Leão Branco, e Astroboy. Ele e Maurício de Souza planejavam uma estória em que os personagens japoneses contracenavam com a Turma da Mônica, com conotação ecológica. Infelizmente, Osamu faleceu antes de ver o projeto concretizado.

Ilustração de Maurício de Souza, sobre a morte de Ozamu Tezuka (Acervo/Divulgação)

 

Episódios completos de A Princesa e o Cavaleiro, com dublagem original.
O Príncipe e o Lobo


O Espelho Que Fala


A Ilha do Gigante

 

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