Olivier Anquier revela os motivos de sua saída do GNT

O chef, padeiro e apresentador francês está livre para levar o programa culinário Diário do Olivier para outro canal

Depois de quase duas décadas à frente do Diário de Olivier e quatro temporadas de Cozinheiros em Ação, aquele que pode ser considerado o primeiro reality culinário da TV brasileira, o chef e apresentador Olivier Anquier deixou o GNT, onde apresentava os dois programas. Na entrevista que fiz com Anquier, no apartamento em que mora em frente à Praça da República, no centro de São Paulo, o cozinheiro fala sem censura sobre sua saída do canal pago e os planos para o futuro – perguntei à assessoria GNT o motivo da interrupção da parceria e a resposta foi apenas a confirmação que Anquier seria substituído primeiro pelo casal Janaína e Jefferson Rueda, que não se concretizou, e depois pelo chef paraense Thiago Castanho.

Marca do Diário de Olivier: o apresentador chega sempre de fusca (Fotos: divulgação) (Divulgação/Veja SP)

Além de trechos do nosso bate-papo de quase duas horas, confira também um breve perfil de Anquier, que arrebata o público com sua simpatia e discreto sotaque que cultiva nas quase três décadas que trocou sua França natal pelo Brasil:

Por que saiu do GNT?
Não deixei o GNT para ir para outro lugar. Foram 19 anos à frente do Diário do Olivier, apenas com uma interrupção de três anos, que passei na Record. O que levou minha saída, entre outras coisas, foi a demora na produção da próxima temporada, que seria na Rússia. Ficaria para o outono ou inverno e seria impossível por causa da temperatura. Nos últimos seis anos, a escolha das produtoras para o meu programa pelo GNT resultaram em condições de trabalho péssimas. A produção estava rala. Eu acabava virando um David Copperfield, tinha de tirar soluções da cartola. Como se faz 13 programas de 1 hora com só um mês e meio de produção? Foi o que aconteceu na temporada da Austrália [a mais recente, em que ele percorre parte do país da Oceania], por exemplo. Tínhamos só 19 dias para fazer tudo.

Programa de estreia em 1998: comendo içá com moradores do Vale do Paraíba (Divulgação/Veja SP)

Suas outras atividades profissionais e sua vida pessoal também pesaram nessa decisão?
Três pontos que se adicionaram à minha realidade me levaram a essa decisão: nasceu minha filha [Olivia, a mais nova com a modelo e atriz Adriana; ele tem outros dois filhos com a atriz Deborah Bloch], abri o restaurante Esther Rooftop aqui no centro e vou inaugurar uma padaria no mesmo edifício [o Edifício Esther, um prédio tombado no centro].

Padeiro na tribo: Anquier ensina índios Tapirapé, no Araguaia, a fazer pão (Divulgação/Veja SP)

Como seria a temporada do Diário do Olivier na Rússia?
Seria sensacional para o espectador, mas um parto para mim. Não tinha condições de fazer um trabalho de qualidade nessas condições. Estava muito em cima da hora. Por isso, acabamos não renovando o contrato.

O chef internacional: em visita à Muralha da China (Divulgação/Veja SP)

Ao deixar o canal, ficou para trás também o Cozinheiros em Ação?
O Cozinheiros em Ação, foi o primeiro reality culinário da TV brasileira. A ideia já era a de passar o bastão para o Ivan [Achcar], que estava de volta nessa temporada e participou nas duas primeiras.

Com a mulher Adriana, em visita à Espanha: o Diário do Olivier teve a Andaluzia com o cenário (Divulgação/Veja SP)

Estava satisfeito com os resultados do reality?
Fizemos quatro temporadas. Não gostei da última porque era mais um BBB do que um programa de culinária. Já não estávamos enxergando o público e o veículo da mesma maneira. Essa sensação se ampliou e me fez perder o entusiasmo.

O que os fãs do Diário do Olivier podem esperar?
O Diário do Olivier pode voltar em outro canal. Esse era o único programa da Globo que não um produto da emissora.

Você é muito exigente no trabalho?
Sei que no mercado tenho fama de difícil. E sou mesmo. Não hesito em trocar um cameraman, por exemplo, se esse profissional consegue me acompanhar. Sou muito exigente inclusive comigo mesmo, perfeccionista e com um ritmo acelerado. Não é fácil me acompanhar.

 

Na companhia do chef Alexa Atala, do premiado D.O.M.: cozinha em uma ilhota do Rio Araguaia (Divulgação/Veja SP)

PERFIL
O modernizador dos antigos programas culinários da TV brasileira
Obra do acaso, a carreira de Olivier Anquier na TV começou depois ele ser descoberto por um diretor da Record quando fazia pães à francesa na pequena e charmosa padaria que ele abriu na Rua Mato Grosso, a extinta Pain de France. Localizada atrás do Cemitério da Consolação, fica num lugar improvável para um negócio gastronômico. “Foi o que a grana que tinha na época me permitiu montar”, lembra-se o padeiro, filho de uma padeira francesa que vive na Austrália.

À frente do Projeto Merendeiras com Nina Horta (que não está na foto): ensinando a fazer pães para merenda escolar em 2002 (Divulgação/Veja SP)

Corria o ano de 1996 e, com o convite feito por Geraldo Rodrigues, ele passou a entrar uma vez por semana durante 15 minutos no quadro Forno, Fogão & Cia, colado ao programa de Ana Maria Braga, então na emissora paulistana. Para encarar as câmeras, usou a experiência que tinha tido como modelo e também um curso de teatro feito em Paris. “O programa tinha traço e passou a dar quatro pontos”, lembra-se com orgulho do primeiro sucesso. Sem qualquer tipo de remuneração, fez o programete durante um ano ensinado receitas.

No lombo de um búfalo: a Ilha de Marajó como foi um dos temas do Diário do Olivier (Divulgação/Veja SP)

“O aspecto físico ajudou com certeza”, admite Anquier. Além da fina estampa, colaborou para o êxito o fato de estar casado com a atriz global Deborah Bloch. “O casamento foi mola propulsora. Todos queriam saber do casal, mas só isso não bastava”, lembra-se. Ao ter certeza de que tinha potencial para a TV, resolveu dar um salto maior. “O diretor artístico que tinha me levado para a TV me colocou em contato com um diretorzão da Record. Disse que queria ter meu próprio programa e ele me pediu para fazer um piloto em 1998, mas o assunto nunca foi adiante”.

Em Santo Amaro da Purificação, no interior da Bahia: visita à dona Cano, que aparece ao lado das filhas (Divulgação/Veja SP)

Nessa época, Anquier já tinha se consolidado como marca e era tratado pela imprensa como o “padeiro do Brasil”, embora fizesse pães ao estilo francês. Nesse mesmo ano de 1998, haveria a fatídica Copa do Mundo na França – não dá para esquecer a derrota brasileira na final para a França por 3 a 0, com dois gols do gigante Zinédine Zidane. Se para o Brasil os resultados estavam longe do esperado, Anquier fez um golaço na TV. Protagonizou programa O Francês, na realidade uma quase vinheta, que passava três vezes por dia na Globo e apresentava o país sede da disputa futebolística. Era o que faltava para ele ser reconhecido nacionalmente.

Integrante de uma comitiva: uma face do Brasil rural (Divulgação/Veja SP)

Ano pródigo, 1998 também foi o período em que começaram as gravações do Diário do Olivier, que se estenderiam por quase duas décadas, tornaria espetáculo de teatro, renderia livros e aulas-show, inclusive em Portugal. Com parte do programa gravada numa bela cozinha de uma fazenda histórica do Vale do Paraíba, onde o cozinheiro preparava seus pratos, o episódio de estreia teve como cenário a essa região paulista e exibia a temática do caviar do caipira. Para quem não sabe o que é, trata-se da bundinha do içá torrada e servida com frequência com farofa. Desse total de 19 anos, o apresentador passou três trabalhando para a mesma Record onde iniciou sua carreira televisiva.

De volta ao GNT, ele ampliou sua participação no canal com a estreia de Cozinheiros em Ação, que Anquier considera o primeiro reality culinário da TV brasileira e agora terá o chef Thiago Castanho, na apresentação. Um parênteses: fui convidado por Anquier para ser um dos jurados na primeira edição. Só não topei na época por incompatibilidade de agenda.

Em visita à cozinha do autor deste blog: provou uma especialidade mexicana, a tortilha com huitlacoche (Divulgação/Veja SP)

Além do trabalho na TV, Anquier se tornou um empresário bem sucedido na gastronomia. É dono de um trio de restaurantes, o Bistro L’Entrecôte d’Olivier (duas casas) e do Esther Rooftop. Além disso, foi fornecedor de pães com sua grife para a rede Pão de Açúcar. Os ótimos pães feitos por ele devem voltar em breve em uma padaria no térreo do Esther. É só aguardar.

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