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Resenha por Miguel Barbieri Jr

O diretor australiano Adam Elliot, de 38 anos, é um homem de coragem. Levou o Oscar de melhor curta de animação em 2004 por Harvie Krumpet e agora faz sua estreia no longa-metragem em um projeto bastante ousado. Trata-se de "Mary e Max — Uma Amizade Diferente", filme realizado com massinha de modelar, praticamente todo narrado, que apresenta temas pesadões como suicídio, desemprego e obesidade. Obviamente, não dá para indicá-lo às crianças. Mas sua mistura agridoce de drama e humor pode cair no agrado dos adultos. Segundo o cineasta, a trama tem inspirações reais. Começa em 1976, flagrando o cotidiano de Mary Daisy Dinkle, uma menina australiana de 8 anos que mora num subúrbio de Melbourne. Ignorada pelos pais, a garota está curiosa para saber de onde vêm os bebês. Por isso escreve, aleatoriamente, a um estranho de Nova York. Lá nos Estados Unidos, Max Horovitz recebe a carta dela. Gordo, solitário e sem emprego, esse judeu de 44 anos encontra conforto nas palavras da nova amiga. Mary e Max descobrem, então, paixões em comum, entre elas o chocolate, e se correspondem por quase duas décadas. Adam Elliot usa predominantemente duas cores: marrom para o mundo de Mary e cinza no universo de Max. Só de vez em quando despontam vermelhos, em línguas, lábios, adereços. Outra opção radical está no formato. Como os diálogos são raríssimos — o primeiro surge aos 27 minutos de projeção —, o roteiro serve-se de uma narração formidável do ator australiano Barry Humphries e de uma eclética trilha sonora (desde Nana Mouskouri, passando pelo descolado grupo Pink Martini, até o tema de Zorba, o Grego) para retratar a duradoura amizade dos protagonistas. Pensou num balaio de gatos esquisito? Excêntrico, pode ser, mas igualmente encantador, terno e adorável em sua hora e meia. Estreou em 16/04/2010.

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