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Resenha por Dirceu Alves Jr.

Parece um pacto firmado entre os produtores atuais: por mais densa que seja a história, sempre se deve encontrar uma brecha para tiradas bem-humoradas. Assim, o público dá uma relaxada. O drama do americano David Lindsay-Abaire ganha o palco repleto de tristeza, sem concessões. Diante dessa coerência, a montagem dirigida por Dan Stulbach já se destaca entre as atrações em cartaz na cidade. Reynaldo Gianecchini e Maria Fernanda Cândido interpretam o casal Paulo e Rebeca. A felicidade dos dois foi abruptamente interrompida quando o filho de 5 anos atravessou a rua e morreu atropelado por um adolescente (participação rápida e marcante do ator Felipe Hintze). Quase um ano depois, Rebecca não encontra forças para racionalizar a perda, mesmo tendo consciência de que tudo não passou de um acidente. A inesperada gravidez da irmã caçula (papel de Simone Zucato) a deixa ainda mais desestabilizada e perto do fundo do poço.
Em sua estreia como encenador, Stulbach demonstra maturidade para não arriscar um passo em falso. Levantou uma montagem refinada, que conta com clareza sua história e extrai bom rendimento dos atores. Maria Fernanda tem seu melhor desempenho no teatro com uma interpretação exata, concisa e carregada de uma introspecção que traduz o luto. Na parceria com Selma Egrei, que representa a mãe da protagonista, ela encontra suporte para as cenas mais dramáticas e verborrágicas. Ao lado de Gianecchini – convincente na dor do pai e do marido ansioso para ajudar a mulher –, a atriz investe nos silêncios e principalmente nos olhares que espelham a tristeza. Como a irmã irresponsável, Simone Zucato surge um pouco deslocada nessa atmosfera. Desbocada e irreverente, Isabel seria a brecha para amenizar o peso da história. Como esse caminho foi limado, a personagem torna-se um tanto presente na ação para muito pouco efeito dramático. Estreou em 21/9/2013. Até 23/2/2014.

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